Fontes Históricas: Entenda o Trabalho do Historiador no 6º Ano

Lista de Exercícios – História

📚 Disciplina: História

🎓 Série/Ano: 6º ano EF

📖 Conteúdo: A produção do conhecimento histórico Orientações Sabia que existe um profissional responsável pelo estudo e pelo registro da história? Ele é chamado de historiador. Para produzir conhecimento histórico, os historiadores realizam pesqui sas em que selecionam e investigam marcas deixadas pelos seres humanos ao longo do tempo. Essas marcas são denominadas fontes históricas. As fontes históricas são classificadas em fontes materiais (ou seja, as marcas físicas da atividade humana, como documentos oficiais, livros, fotografias, roupas, objetos de uso pessoal etc.) e fontes imateriais (quer dizer, aquelas que não podem ser tocadas, como memórias, cantos, danças, lendas, crenças etc.). Considere os dois exemplos de fontes históricas a seguir. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. FERNANDO FAVORETTO/CRIAR IMAGEM Caderno de receitas escrito na década de 1980. CESAR DINIZ/PULSAR IMAGENS Ao conversar com os es tudantes sobre o trabalho do historiador, explique a eles que a atuação desse profissional é orientada por métodos e adota uma série de cuidados. O histo riador deve citar as fontes utilizadas em sua pesquisa e, antes de elaborar suas conclusões, deve consul tar o trabalho de colegas que estudaram o mesmo assunto. Ele não pode, por exemplo, partir de ideias preconcebidas e utilizar as fontes como mero ins trumento para comprovar suas convicções pessoais, prática conhecida como voluntarismo. Também não deve atribuir a uma fonte ou a um sujeito his tórico do passado motiva ções, ideias ou sentimen tos do tempo presente, pois isso caracteriza um anacronismo. Apresentação de grupo de congada no município de São Luiz do Paraitinga, São Paulo, 2023. O caderno de receitas, as roupas e os acessórios utilizados pelos inte grantes do grupo de congada são exemplos de fonte histórica material. O modo de fazer a receita e as músicas cantadas pelo grupo de congada são exemplos de fonte histórica imaterial. De posse das fontes históricas, o historiador pode estabelecer e respon der a inúmeras questões que vão auxiliá-lo na investigação: onde, quando e por quem uma fonte foi produzida, a quem ela pertenceu e quais eram suas funções e sua utilidade. Para construir o conhecimento histórico, além das fontes, os historia dores podem recorrer a pesquisas realizadas por outros campos do saber, como a antropologia, a arqueologia, a sociologia, a economia, a geografia etc. Atividade complementar 21 Para ampliar a compre ensão dos estudantes so bre as fontes históricas, liste diferentes exemplos na lousa, relacionados ao cotidiano da turma. Em seguida, solicite a eles que classifiquem esses exemplos em fon tes materiais ou imate riais. Podem ser listadas como fontes materiais ferramentas de trabalho, material escolar, móveis, construções, eletrodo mésticos, entre outros. Como fontes imateriais, podem-se destacar há bitos alimentares, cos tumes, crenças religio sas, saberes tradicionais, celebrações etc. Essa ati vidade pode ser utilizada no monitoramento de aprendizagem da turma. 21 Orientações O trabalho com as fontes históricas A partir de meados do século XX, historiadores, principalmente franceses reunidos em torno do que ficou conhecida como Escola dos Annales, in troduziram novos proble mas, novas abordagens e novos objetos de estudo para a história. Assim, no vas indagações puderam ser realizadas, ampliando a percepção sobre even tos e processos históricos, além de proporcionarem uma reavaliação crítica das práticas historiográfi cas realizadas até aquele momento. O texto a seguir, escri to pelo historiador Lucien Febvre, um dos fundado res da Escola dos Annales, discute a ampliação da noção de fonte histórica. A história faz-se com documentos escritos, sem dúvida. Quando eles exis tem. Mas ela pode fazer–se, ela deve fazer-se sem documentos escritos, se os não houver. Com tudo o que o engenho do histo riador pode permitir-lhe utilizar para fabricar o seu mel, a falta das flores ha bituais. Portanto, com pa lavras. Com signos. Com paisagens e telhas. Com formas de cultivo e ervas daninhas. Com eclipses da lua e cangas de bois. Com exames de pedras por geólogos e análises de espadas de metal por químicos. Numa palavra, com tudo aquilo que, per tencendo ao homem, de pende do homem, serve o homem, exprime o ho mem, significa a presen ça, a atividade, os gostos e as maneiras de ser do homem. Não consistirá A ideia de que qualquer vestígio humano pode ser utilizado no estudo da história é relativamente recente. Até pouco mais de cem anos, os estudos históricos eram produzidos principal- mente com base na análise de documentos escritos, sobretudo os de origem oficial, como certidões de nascimento, atestados de óbito, leis, normas jurídicas, cartas troca das entre governos etc. Além disso, muitos historiadores acreditavam na existência de uma verdade absoluta e definitiva sobre os acontecimentos. Com o decorrer do tempo, no entanto, os historiadores passaram a utilizar como fontes históricas vestígios de outra natureza (depoimentos, objetos pessoais, peças do vestuário e outros vestígios não escritos). Isso contribuiu para o estudo de outros aspectos da vida social ocultados pelos documentos oficiais e para o abandono da concepção de uma verdade única e absoluta sobre o passado. Hoje os historiadores utilizam várias versões para explicar um mesmo aconteci mento e consideram o papel de diferentes personagens para a construção do conhe cimento histórico. Desse modo, a história, antes abordada de acordo com os feitos heroicos e segundo a visão da elite, passou a reconhecer a importância das perspectivas e da participação de outros setores da sociedade. Ao analisar, por exemplo, como ocorreu uma greve em determinado período da história, os historiadores passaram a considerar as diversas versões desse aconteci mento: tanto a dos patrões quanto a dos operários e das demais pessoas envolvidas. Essa nova postura possibilitou que outros grupos ganhassem destaque na cons- trução da história, como mulheres, indígenas, trabalhadores etc. JOÃO CARLOS MAZELLA/FOTOARENA 22 Entregadores por aplicativo realizam manifestação por melhores condições de trabalho no município do Recife, Pernambuco, 2020. Para estudar as relações de trabalho, é fundamental considerar a versão dos trabalhadores. toda uma parte, e sem dúvida a mais apaixonante de nosso trabalho de historiador, num esforço constante para fazer falar as coisas mudas, fazer com que digam o que por si pró prias não dizem sobre os homens, sobre as sociedades que as produziram – e, finalmente, constituir entre elas essa vasta rede de solidariedade e de entreajuda que supre a ausência do documento escrito? FEBVRE, Lucien. Combates pela história. Editorial Presença: Lisboa, 1989. p. 249-250. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. 22 Orientações As fontes orais 8. Espera-se que os estudantes citem diferentes fontes materiais e imateriais, como documentos pessoais, relatos orais de familiares, objetos de u so pessoal, que lhes tragam lembranças e que tenham um significado importante para eles. Uma importante fonte imaterial de informações para conhecer a história de alguém, de alguma sociedade ou de algum lugar são os relatos orais: registros da memória individual ou coletiva transmitidos de uma geração a outra. Você já prestou atenção em pessoas mais velhas contando a história de sua família, de como você nasceu ou dos lugares onde eles já viveram? Esses relatos permitem ter acesso aos fatos passados de acordo com a perspectiva de quem os vivenciou. Os relatos orais também são uma forma utilizada por muitas sociedades para trans mitir sua história, seus costumes e suas tradições às gerações mais jovens, reforçando a identidade coletiva do grupo. Os idosos desempenham um papel fundamental nesse processo. Eles têm muito conhecimento acumulado, tanto de suas experiências de vida e dos acontecimentos que testemunharam quanto dos costumes e das tradições da sociedade de que fazem parte. Por isso, seus relatos servem de referência cultural para as pessoas de sua comunidade. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. O saber acumulado por eles também é essencial para o estudo da história. Por meio dos relatos dos idosos, o historiador tem a oportunidade de resgatar informações sobre o passado e de preservar os testemunhos e relatos de pessoas que nunca pude ram registrar sua história. Para ampliar a discus são sobre as fontes orais e sua importância para as sociedades tradicionais, explique aos estudantes que, entre vários povos da África Ocidental, existem contadores de história, denominados griôs, que são muito respeitados e valorizados. Os griôs são guardiões da memória da comunidade e, por meio da fala e da música, compartilham seus sabe res com as gerações mais novas. O texto a seguir explica um pouco mais sobre eles. FABIO COLOMBINI Idoso da etnia Xavante transmitindo seus conhecimentos a outros membros da aldeia na Terra Indígena Parabubure, no município de Campinápolis, Mato Grosso, 2021. Nas comunidades tradicionais, as pessoas mais velhas têm a função de transmitir seus conhecimentos aos mais jovens. 8 Quais fontes você utilizaria para contar sua história de vida? 9 Em sua opinião, as pessoas idosas são respeitadas e valorizadas no Brasil? Converse com os colegas. 9. O objetivo da atividade é discutir a condição dos idosos no Brasil e chamar a atenção para as dificuldades ainda hoje enfrentadas por essa parcela da população. 23 A casta dos griôs é uma reminiscência da Áfri ca Ocidental anterior às formas de comunicação tidas como modernas. É uma casta de contadores de história que, calcados na oralidade e na memó ria coletiva e genealó- gica de seu grupo, bem como de seu papel social, são os cronistas sociais e políticos de seu povo, en quanto transmissores de saberes, mantenedores de segredos específicos e produtor semântico res ponsável por uma espécie de literatura oral calcada no poder da narrativa. ALMEIDA, Angélica Ferrarez de. As griôs no Brasil: saberes e fazeres de mulheres negras através da categoria tia. Revista Calundu, Brasília, DF, vol. 4, n. 2, p. 75, jul.-dez. 2020. A tradição griô também é encontrada no Brasil, sobretudo em comuni dades quilombolas

📝 Número de questões: 10

📅 Data de Criação: 22/02/2026

Lista de Exercícios de História – 6º Ano EF

A Produção do Conhecimento Histórico

Instruções: Responda as questões a seguir de forma clara e objetiva. Utilize o conhecimento adquirido sobre a produção do conhecimento histórico e as fontes históricas. Boa sorte!

1. (Objetiva – 1 ponto – Fácil)

Qual é o profissional responsável pelo estudo e registro da história?

  1. a) Arqueólogo
  2. b) Antropólogo
  3. c) Historiador
  4. d) Sociologista
  5. e) Geógrafo

2. (Verdadeiro ou Falso – 1 ponto – Fácil)

As fontes históricas podem ser apenas documentos escritos. (V/F)

3. (Dissertativa – 2 pontos – Médio)

Explique a diferença entre fontes históricas materiais e imateriais, dando exemplos de cada uma. Responda em até 5 linhas.

4. (Completar – 1 ponto – Médio)

As __________ são marcas físicas da atividade humana, enquanto as __________ são aquelas que não podem ser tocadas.

5. (Associar – 2 pontos – Médio)

Associe as colunas a seguir, ligando cada tipo de fonte com o seu exemplo correspondente:

  • A. Fonte material
  • B. Fonte imaterial
  • 1. Canto popular
  • 2. Carta oficial
  • 3. Receita de bolo
  • 4. Lenda local

6. (Problema – 3 pontos – Difícil)

Um historiador está investigando a história de uma pequena cidade e encontrou um diário da década de 1960 e relatos de moradores mais idosos. Considerando as fontes disponíveis, como o historiador deve proceder para garantir a qualidade de sua pesquisa? Responda em até 10 linhas.

7. (Objetiva – 1 ponto – Médio)

Qual das alternativas abaixo é um exemplo de fonte imaterial?

  1. a) Documento escolar
  2. b) Capa de album
  3. c) Receitas familiares
  4. d) Dança tradicional
  5. e) Fotografias antigas

8. (Verdadeiro ou Falso – 1 ponto – Médio)

O voluntarismo na historiografia refere-se à prática de atribuir intenções modernas a figuras históricas do passado. (V/F)

9. (Dissertativa – 2 pontos – Difícil)

Na sua opinião, qual é a importância dos relatos orais na preservação da história de uma cultura? Responda em até 7 linhas.

10. (Problema – 3 pontos – Difícil)

Imagine que você é um historiador que deseja estudar a história de uma comunidade quilombola. Quais fontes você utilizaria e como você garantiria que suas interpretações fossem justas e representativas? Responda em até 10 linhas.

Gabarito

1. c

2. F

3. Espera-se que o aluno explique que fontes materiais são objetos físicos, como documentos e ferramentas, enquanto fontes imateriais são expressões culturais, como músicas e tradições.

4. fontes materiais / fontes imateriais

5. A – 2, B – 1 e 4

6. O aluno deve mencionar a importância de analisar as fontes com cuidado, confrontando o diário com os relatos orais e buscando diversas perspectivas.

7. d

8. V

9. O aluno deve ressaltar a importância da oralidade para transmitir saberes e preservar a memória cultural.

10. O aluno deve sugerir o uso de relatos orais, documentos escritos, e deve mencionar a importância de ouvir a comunidade para interpretações justas.

Resolução Comentada

1. O historiador é o profissional que estuda e registra a história, utilizando várias fontes. A resposta correta é c.

2. A afirmação é falsa, pois existem também as fontes imateriais.

3. Espera-se que o aluno mencione exemplos que ilustrem bem as diferenças entre os tipos de fontes, como “documentos” para materiais e “músicas” para imateriais.

4. As palavras “fontes materiais” e “fontes imateriais” devem ser corretamente preenchidas.

5. A resposta associativa correta deve mostrar que o aluno compreendeu as definições de cada tipo de fonte.

6. O aluno deve entender que a combinação de diferentes fontes trás uma visão mais ampla e precisa da história.

7. A resposta d é a única que se refere a uma expressão cultural e não a um objeto físico.

8. A afirmação é verdadeira, pois o voluntarismo é uma prática inadequada na historiografia.

9. O aluno deve entender a importância da oralidade como ferramenta de preservação cultural e histórica.

10. O aluno deve refletir sobre a importância de ouvir as vozes da comunidade para interpretar a história de forma justa.