Desenvolvendo Habilidades de Narrativa no 6º Ano do Ensino Fundamental

Este plano de aula é estruturado com o intuito de fomentar a habilidade dos alunos em contar e recontar histórias, tanto da tradição oral quanto da literatura escrita. Tendo em vista a diversidade das narrativas e o valor da interpretação literária, busca-se promover um aprendizado significativo que explore a leitura, a expressão oral e a criatividade dos estudantes. Ao final, espera-se que os alunos consigam não apenas narrar suas histórias de forma expressiva, mas também compreender os elementos que constituem a narrativa, apropriar-se da riqueza dos gêneros textuais e desenvolver a escuta ativa.

O desenvolvimento das atividades será pautado nas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que orientam a aprendizagem da língua portuguesa por meio da prática reflexiva e da análise crítica dos textos. Os alunos, ao se apropriarem desses conhecimentos, estarão mais capacitados a expressar suas ideias e sentimentos por meio da fala e da escrita, contribuindo assim para sua formação integral como leitores e escritores.

Tema: Contar e recontar histórias literárias e da tradição oral
Duração: 50 min
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 6º ano
Faixa Etária: 11 a 12 anos

Objetivo Geral:

Fomentar a habilidade dos alunos em contar e recontar histórias, tanto da tradição oral quanto da literatura, expressando compreensão e interpretação por meio de uma leitura e fala expressiva, utilizando recursos gráficos e editoriais.

Objetivos Específicos:

– Desenvolver a habilidade de interpretação e recontagem de histórias.
– Estimular a leitura expressiva, considerando entonação, ritmo e pausas.
– Promover o uso de recursos gráficos na apresentação das narrativas.
– Capacitar os alunos para a produção e gravação de contos e audiobooks.

Habilidades BNCC:


(EF06LP30) Criar narrativas ficcionais tais como contos populares, contos de suspense, mistério, terror, humor, narrativas de enigma, crônicas, histórias em quadrinhos, dentre outros que utilizem cenários e personagens realistas ou de fantasia observando os elementos da estrutura narrativa próprios ao gênero pretendido tais como enredo, personagens, tempo, espaço e narrador, utilizando tempos verbais adequados à narração de fatos passados.

(EF67LP11) Planear resenhas, vlogs, vídeos e podcasts variados e textos e vídeos de apresentação e apreciação próprios das culturas juvenis.

(EF67LP12) Produzir resenhas críticas, vlogs, vídeos, podcasts variados e produções e gêneros próprios das culturas juvenis que apresentem, descrevam e/ou avaliem produções culturais.

(EF67LP28) Ler de forma autônoma e compreender selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros.

Materiais Necessários:

– Livros de contos e histórias da tradição oral.
– Papel e canetas coloridas.
– Equipamento de gravação (pode ser um celular ou gravador).
– Computadores ou tablets para edição de áudio.
– Projetor (opcional) para projeção de ilustrações.

Situações Problema:

Como podemos compartilhar histórias de forma que elas se tornem memoráveis e reflitam nossas interpretações pessoais? Que recursos podemos utilizar para enriquecer a nossa narrativa e expressá-la de forma impactante?

Contextualização:

A contação de histórias é uma prática antiga que atravessa gerações. Tradições orais, como causos e contos de animais, trazem consigo ensinamentos e valores que fazem parte de nossa cultura. Além disso, narrativas literárias oferecem um universo vasto de imaginação e aprendizado. Ao explorar essas formas de narrativa, os alunos poderão criar suas próprias interpretações, explorando a construção de personagens e enredos que refletem suas vivências e a sociedade em que estão inseridos.

Desenvolvimento:

1. Abertura da Aula: Inicie a aula com uma roda de conversa onde os alunos podem compartilhar histórias de sua preferência, seja da tradição oral ou literária. Isso ajuda a ativar o conhecimento prévio e instiga o interesse pelas histórias a serem trabalhadas.
2. Leitura de Histórias: Apresente uma ou duas histórias da tradição oral e/ou um conto literário. Realize a leitura em voz alta, enfatizando a entonação, ritmo e pausas. Após a leitura, promova uma discussão sobre os elementos da história, como enredo, personagens e moral.
3. Análise dos Elementos da Narrativa: Aprofunde a análise, sugerindo que os alunos identifiquem os componentes essenciais de uma narrativa, como a introdução, conflito, clímax e desfecho. Pergunte se alguém gostaria de recontar a história ou discutir o que mais chamou a atenção.
4. Prática de Recontar: Divida a turma em grupos e peça que cada um escolha uma história para recontar de forma criativa. Eles podem fazer alterações, adicionar elementos ou mudar a perspectiva da narrativa original, assegurando que a essência da história se mantenha.
5. Uso de Recursos Gráficos: Instrua os alunos a usarem recursos gráficos, como negritos e itálico, para destacar partes importantes da narrativa durante a apresentação.
6. Gravação das Histórias: Após a recontagem, incentive os grupos a gravarem suas histórias em um formato de audiobook ou podcast. Isso pode ser feito com o uso de celulares ou gravadores disponíveis, e será um produto final interessante para a avaliação da atividade.
7. Apresentação: Cada grupo apresentará sua história para a turma, utilizando os recursos gráficos nas representações e a leitura expressiva.

Atividades sugeridas:

Atividades para uma semana inteira:
1º Dia: Palestra sobre a importância da narrativa na tradição oral e na literatura. Leitura compartilhada e discussão de histórias.
2º Dia: Análise detalhada dos elementos da narrativa, com atividades práticas em grupos para definir enredos e personagens.
3º Dia: Recontagem criativa em grupos e planejamento das gravações.
4º Dia: Gravação do áudio das histórias recontadas, com edição e uso de efeitos sonoros, se desejado.
5º Dia: Apresentação final dos audiobooks para a turma e feedback individual e coletivo.

Discussão em Grupo:

Promova uma conversa sobre as narrativas apresentadas. Questione os alunos sobre o que aprenderam com a experiência de recontar, como a escolha dos recursos gráficos influenciou suas narrativas e que emoções sentiram ao ouvir as histórias dos colegas.

Perguntas:

– Quais aspectos foram mais desafiadores ao recontar uma história?
– Como a leitura expressiva impactou sua compreensão da história?
– Que recursos utilizaram para engajar seus ouvintes nas narrativas?

Avaliação:

A avaliação será feita com base nos seguintes critérios:
– Participação nas discussões e atividades em grupo.
– Criatividade na recontagem da história e no uso de recursos gráficos.
– Qualidade e clareza da gravação final.
– Capacidade de colaboração em grupo e apresentação.

Encerramento:

Finalize a aula revisitando os principais aprendizados. Pergunte aos alunos o que mais gostaram de fazer e quais habilidades desejam desenvolver ainda mais em futuras atividades de contação de histórias.

Dicas:

– Incentive os alunos a trazem histórias de suas famílias ou tradições locais.
– Utilize diferentes gêneros: piadas, lendas, causos.
– Aproveite tecnologias, como aplicativos de edição de áudio, para aprimorar a qualidade das gravações.

Texto sobre o tema:

Contar histórias é uma prática fundamental que deixa marcas profundas na formação de cultura e identidade. Desde tempos imemoriais, as pessoas se reuniram ao redor de fogueiras ou em salas de aula para compartilhar relatos que muitas vezes traziam lições de vida, valores morais e experiências coletivas. A tradição oral, com sua riqueza de formatos e estilos, permite que diferentes vozes sejam ouvidas e preservadas. Por outro lado, a literatura escrita abre um vasto campo de possibilidades criativas.

Estudar histórias, tanto as que circulam oralmente quanto as que se encontram impressas, auxilia na formação crítica do leitor. Por meio da leitura e da interpretação, o aluno desenvolve habilidades que vão além da simples repetição de conteúdo. Ele aprende a olhar para a linguagem com um olhar analítico, identificando recursos estilísticos e formas de construção textual que enriquecem a narrativa. A leitura também propõe um espaço de reflexão e identificação, onde é possível se conectar com personagens e enredos que ressoam em sua própria vida.

Por fim, mais do que apenas contar, o ato de recontar histórias pode libertar a imaginação, permitindo que novas versões de narrativas clássicas sejam criadas. Quando os alunos são encorajados a usar a criatividade em suas produções, eles não só preservam a herança da tradição oral, mas também construem novos significados a partir delas. Assim, a prática da contação de histórias se torna um eloquetíssimo meio de expressão, uma habilidade que eles levarão consigo para toda a vida.

Desdobramentos do plano:

Este plano de aula pode ser expandido para incluir diferentes gêneros textuais, explorando não apenas histórias da tradição oral, mas também crônicas, relatos autobiográficos e textos poéticos. A formalização de uma feira literária escolar, onde os alunos podem apresentar suas narrativas em formato oral ou escrito, pode promover ainda mais o encantamento pelo ato de contar.

Além disso, a inclusão de um espaço destinado ao feedback construtivo pode enriquecer não apenas a prática de contar e recontar, mas também a escuta ativa dos alunos. A prática de revisitar o texto após a apresentação pode gerar insights valiosos sobre o que funciona ou não em seus relatos. Assim, ao refletirem sobre as produções dos colegas, os alunos desenvolvem competências de análise que podem ser utilizadas em suas próximas narrativas.

Outra possibilidade interessante é integrar a tecnologia à contação de histórias, como a produção de videocast ou a interação via plataformas digitais. Isso não apenas modernizaria a abordagem, mas também aproximaria os alunos de formatos contemporâneos de produção textual. Eles poderiam usar blogs, redes sociais ou mesmo plataformas de vídeo para compartilhar suas narrativas, ampliando a audiência e o impacto de suas histórias.

Orientações finais sobre o plano:

Recomenda-se que o professor esteja atento às diferentes maneiras que os alunos se expressam, respeitando e valorizando as particularidades de cada um. É crucial que o ambiente da sala de aula seja acolhedor e encorajador, permitindo que os alunos se sintam seguros para experimentar e compartilhar suas histórias. Estimulá-los a se expressar livremente pode criar um ambiente propício ao desenvolvimento da criatividade e da autoexpressão, habilidades que serão valiosas em diversos contextos ao longo da vida.

Ademais, o professor deve estar preparado para oferecer suporte nos processos de gravação e edição, garantindo que todos os alunos tenham acesso às ferramentas necessárias para suas produções. Preparar uma pequena aula adicional sobre edição de áudio pode ser um diferencial, pois ajudará a melhorar a qualidade das gravações e, consequentemente, o resultado final da apresentação.

Por fim, o acompanhamento do progresso dos alunos deve ser contínuo, com sessões de feedback e reflexão sobre os aprendizados. O professor pode manter um diário de classe, onde registra o desenvolvimento das habilidades e crescimento dos alunos em suas capacidades de contar e recontar histórias. Com essa prática, expande-se a possibilidade de refletir sobre as experiências vivenciadas durante essa jornada educacional.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Caça ao Tesouro Literário: Crie uma atividade onde os alunos precisem encontrar elementos de diferentes histórias espalhados pela sala, que, ao serem coletados, formem um enredo novo e original.
2. Teatro de Fantoches: Os alunos podem construir fantoches e usar diferentes histórias para encenar, explorando a expressividade não apenas na fala, mas também na representação visual.
3. História em Cadeia: Uma atividade onde cada aluno adiciona uma frase ou parágrafo à história em andamento, criando uma narrativa coletiva divertida e inesperada.
4. Desafio da História A Revezar: Os grupos têm um tempo limite para contar suas histórias, mas os outros grupos podem interromper e sugerir mudanças ou elementos inusitados para a narrativa.
5. Ilustração Coletiva: Depois de recontar a história, os alunos podem criar uma grande ilustração em papel kraft que represente visualmente as narrativas contadas, integrando palavras e desenhos.

Com esses passos e sugestões, o plano de aula se torna um guia robusto para fomentar a habilidade narrativa dos alunos, integrando a oralidade e a escrita de forma dinâmica e eficaz.