A contação de história é uma prática rica e instigante que permite às crianças pequenas explorarem não apenas o universo da imaginação, mas também desenvolverem competências fundamentais como a empatia e a compreensão das diferenças. Este plano de aula foi desenvolvido para que o educador possa guiar crianças na faixa etária de 3 a 4 anos a entenderem as emoções, as experiências e as perspectivas dos outros, através de histórias que refletem as diversas realidades do ser humano. O foco estará em como se conectar com os sentimentos, respeitar as diferenças e construir um ambiente de aprendizagem colaborativa e acolhedora.
Neste contexto, a prática da contação de histórias é valiosa, pois possibilita que os pequenos participem ativamente, tornando-se parte da narrativa e expressando-se de maneiras diversas. Por meio das histórias, as crianças podem se identificar com os personagens, reconhecer semelhanças e diferenças e, consequentemente, desenvolver habilidades sociais e emocionais essenciais. Este plano promoverá atividades que incentivem a expressão, escuta ativa e a construção da identidade, permitindo que os alunos desenvolvam um olhar mais abrangente sobre o mundo.
Tema: Contação de história: diferenças e empatia
Duração: 50 minutos
Etapa: Educação Infantil
Sub-etapa: Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses)
Faixa Etária: 3 a 4 anos
Objetivo Geral:
Facilitar o desenvolvimento da empatia e do respeito pelas diferenças entre os alunos, por meio da contação de histórias.
Objetivos Específicos:
– Promover a expressão de sentimentos e a identificação com personagens.
– Desenvolver habilidades de escuta e interação em grupo.
– Fomentar a valorização das diferenças e o respeito mútuo entre as crianças.
– Incentivar a criação de narrativas em grupo, estimulando a participação ativa.
Habilidades BNCC:
–
(EI03EO01) Demonstrar empatia pelos outros percebendo que as pessoas têm diferentes sentimentos, necessidades e maneiras de pensar e agir.
–
(EI03EO04) Comunicar suas ideias e sentimentos a pessoas e grupos diversos.
–
(EI03EF01) Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre vivências por meio de linguagem oral, escrita espontânea, fotos, desenhos e outras formas de expressão.
–
(EI03EF06) Produzir histórias orais e escritas espontâneas em situações com função social significativa.
Materiais Necessários:
– Livros ilustrados que abordem temas de empatia e diversidade.
– Fantoches ou bonecos de dedo.
– Papel kraft ou cartolina.
– Lápis de cor e tinta.
– Caixa de som com músicas suaves ou de fundo (opcional).
– Cartões com emoções desenhadas (feliz, triste, surpreso, etc.).
Situações Problema:
Como as crianças se sentem quando veem alguém diferente delas? Como podem ajudar um amigo que não está se sentindo bem? Essas perguntas serão trabalhadas ao longo da atividade, permitindo discussões sobre a empatia.
Contextualização:
Iniciar a atividade contextualizando as crianças sobre a importância de entender e respeitar as diferenças. Perguntar o que eles sabem sobre pessoas que podem ser diferentes deles, seja na aparência, forma de agir ou pensar. Explorar o conceito de empatia como “colocar-se no lugar do outro”, fazendo conexões com as histórias que serão contadas.
Desenvolvimento:
1. Roda de conversa: Iniciar com uma roda onde as crianças compartilham sentimentos sobre situações vividas, estimulando o uso de cartões de emoções.
2. Contação de histórias: Escolher um ou mais livros que abordam a temática de diferenças e empatia. Ler as histórias de maneira expressiva, utilizando os fantoches para criar interação.
3. Atividades de dramatização: Após a história, as crianças poderão agir como os personagens, criando uma cena que ilustre a mensagem da narrativa.
4. Discussão coletiva: Após a dramatização, discutir com as crianças como se sentiram na pele dos personagens e se já passaram por situações semelhantes.
5. Registro artístico: Encorajar as crianças a desenhar ou criar uma pequena história que retrate o que aprenderam sobre respeito e empatia.
Atividades sugeridas:
Dia 1: Roda de conversa
– Formar um círculo e compartilhar sentimentos, utilizando cartões de emoções.
– Estimular a fala e o compartilhamento, promovendo a escuta atenta.
Dia 2: Contação da história
– Escolher um livro e realizar a contação, utilizando fantoches para maior engajamento.
– Fazer pausas para perguntas e discussão durante a leitura.
Dia 3: Dramatização
– As crianças escolhem personagens e encenam partes da história lida no dia anterior.
– Promover um bate-papo sobre solidão e inclusão.
Dia 4: Criação de história
– Formar grupos e incentivar a criação de uma nova história, integrando moral sobre empatia.
– As crianças desenham ou escrevem usando o papel kraft.
Dia 5: Apresentação e reflexão
– As crianças apresentam suas histórias para os colegas.
– Encerre a semana discutindo como a empatia pode ser aplicada no dia a dia.
Discussão em Grupo:
Promover momentos de reflexão onde as crianças compartilham suas vivências sobre o que aprenderam com as histórias e a dramatização. Perguntar como podem ser mais empáticos uns com os outros no cotidiano. Incentivar a expressão de ideias e sentimentos.
Perguntas:
– O que você sentiu ao ser o personagem da história?
– Como podemos ajudar amigos que estão triste?
– Qual é a diferença mais interessante que você encontrou na história?
– O que aprendemos sobre ser amigos de todos?
Avaliação:
A avaliação será contínua e formativa. Observar a participação das crianças nas atividades, seu engajamento nas discussões, bem como sua capacidade de expressar sentimentos e respeitar as ideias dos colegas.
Encerramento:
Fechar a atividade promovendo um momento de gratidão, onde cada criança pode dizer algo bom que aprendeu e que poderá aplicar em situações do dia a dia. Agradecer a participação de todos.
Dicas:
– Utilize vozes diferentes ao contar a história para ilustrar diferentes personagens.
– Estimule a participação de todos, evitando que apenas uma criança fale.
– Explore diferentes formatos de histórias, utilizando músicas ou danças que representem emoções.
Texto sobre o tema:
A contação de histórias é uma das práticas mais antigas e eficazes na educação. Por meio dela, é possível explorar conceitos complexos de uma forma lúdica, aproximando-se do mundo das crianças. A empatia, por sua vez, é uma habilidade social que pode ser desenvolvida desde cedo. Ao contar histórias que retratam experiências diversas, as crianças não apenas se conhecem melhor, mas também se conectam com o outro. Aprendendo a reconhecer e a respeitar as emoções dos outros, as crianças criam laços mais saudáveis e inclusivos.
Este esforço em cultivar um ambiente de respeito e compreensão é fundamental. As narrativas se tornam uma ferramenta poderosa para abordar temas de diversidade e aceitação, duas questões que precisam ser trabalhadas em nossa sociedade. Além disso, o processo de escuta e de representação ajuda as crianças a expressarem seus próprios sentimentos e a se conectarem em um nível mais profundo com seus colegas. Assim, o ato de contar histórias se transforma em um ato de amor e solidariedade.
Ao facilitar este tipo de atividade, o educador desempenha um papel crucial. É preciso estar atento às reações das crianças, promovendo discussões que explorem as emoções e promovam a reflexão. O educador deve ser um mediador, guiando as conversas e ajudando as crianças a articularem suas reflexões sobre empatia e diferença. Desse modo, cria-se um espaço seguro onde cada criança se sente valorizada e ouvida.
Desdobramentos do plano:
Este plano de aula pode ser expandido com a inclusão de histórias de diferentes culturas, promovendo um aprendizado sobre a diversidade cultural. As crianças podem ser incentivadas a trazer histórias de suas famílias ou tradições, criando um espaço de troca rica e significativa. Além disso, a contação pode envolver a interatividade, onde as crianças ajudam a contar a história, criando seus próprios finais ou personagens, promovendo assim a criatividade e o envolvimento.
Outra forma de desdobramento é a interação com as famílias. Organizar um dia para que os pais possam participar da contação de histórias, trazendo seus próprios livros e experiências. Essa interação fortalece a comunidade escolar e promove um ambiente onde todos se sentem parte do processo. Além disso, pode-se criar um mural na escola com as histórias criadas pelas crianças, promovendo a autoafirmação e o orgulho em suas produções.
Por fim, as atividades podem ser intercaladas com músicas e danças que refletem as emoções discutidas. Isso não só torna as atividades mais dinâmicas, mas também ajuda as crianças a expressarem seus sentimentos de maneira corporal, essencial para o desenvolvimento global na primeira infância. As crianças podem até mesmo criar uma pequena apresentação a partir das histórias lidas, unindo a arte e a literatura de forma divertida e educativa.
Orientações finais sobre o plano:
Ao aplicar este plano, é fundamental que o educador esteja presente como mediador ativo, ouvindo e orientando as interações entre as crianças. A flexibilidade também é crucial, permitindo que as discussões se desenvolvam organicamente e que novas ideias surjam durante as atividades. As sensações e reações das crianças devem ser sempre levadas em conta, adaptando o conteúdo e a abordagem conforme seja necessário.
Além disso, é recomendável que o educador prepare um ambiente acolhedor e seguro onde as crianças se sintam livres para expressar seus sentimentos e opiniões. Criar um espaço onde as crianças possam se sentir à vontade para compartilhar suas emoções é vital para o desenvolvimento da empatia. Os feedbacks das crianças sobre as histórias também podem ser utilizados para aprimorar a seleção de futuras narrativas.
Por último, o registro das atividades e das reações das crianças pode ser uma ferramenta valiosa para futuras planejamentos de aula. A observação das dinâmicas que surgem e dos interesses das crianças ajudará a construir uma proposta educativa cada vez mais rica e significativa, contribuindo para o crescimento emocional e social dos alunos. Com o tempo e a prática, a contação de histórias se tornará uma parte essencial do cotidiano escolar e um meio eficaz de cultivar a empatia e a compreensão das diferenças.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Teatro de fantoches: Criar um pequeno teatro com fantoches onde as crianças possam encenar as histórias, criando seus próprios personagens e diálogos que abordem temas como empatia e amizade.
2. Caça ao tesouro emocional: Organizar uma caça ao tesouro em que as pistas estão relacionadas a sentimentos descritos nas histórias, como “encontre o tesouro da amizade” ou “procurando o mistério do respeito”.
3. Roda das emoções: Criar uma roda com diferentes emoções escritas e ilustradas. As crianças giram a roda e devem contar uma situação em que sentiram aquela emoção, promovendo a troca de experiências.
4. Música e movimento: Integrar músicas que falem sobre sentimentos e diferenças, criando uma dança ou coreografia onde as crianças podem expressar o que sentem através do corpo.
5. Desenho coletivo: Promover uma atividade de desenho onde crianças trabalham em um mural, ilustrando o que significa respeito e empatia. Cada criança pode contribuir com algo que aprendeu durante a semana sobre esses temas.