A elaboração deste plano de aula sobre a criação de histórias curtas visa estimular a criatividade dos alunos da 1ª série do Ensino Médio e desenvolve competências literárias essenciais, especialmente para estudantes que apresentam deficiências intelectuais, como disgrafia e dislexia. A proposta se apoia em uma abordagem inclusiva, permitindo que todos os estudantes participem do processo de criação e desenvolvam suas habilidades de forma gradual e personalizada.
Neste contexto, a criação de histórias curtas não apenas serve como uma atividade lúdica, mas também permite que os alunos aprimorem aspectos como a consciência fonológica, favorecendo o reconhecimento de rimas, a segmentação silábica e a identificação de sons, elementos fundamentais na construção da escrita e da leitura eficaz. Além disso, a habilidade de contar histórias amplia o vocabulário e aprimora a expressão oral, fatores importantes para a comunicação e interlocução.
Tema: Criação de histórias curtas
Duração: 50 min
Etapa: Ensino Médio
Sub-etapa: 1ª série
Faixa Etária: 10 a 15 anos
Objetivo Geral:
Desenvolver a habilidade dos alunos em criar histórias curtas, estimulando a escrita criativa, a expressão pessoal e a consciência fonológica, contribuindo para a formação de leitores e escritores críticos e autônomos.
Objetivos Específicos:
– Estimular a criatividade dos estudantes na produção de textos.
– Promover a consciência fonológica por meio de rimas e sonoridades.
– Facilitar o reconhecimento e a segmentação silábica de palavras.
– Trabalhar a organização de ideias para a construção de narrativas coesas.
– Adaptar a atividade de forma inclusiva para atender às necessidades de estudantes com disgrafia e dislexia.
Habilidades BNCC:
–
(EM13LP01) Relacionar o texto tanto na produção como na leitura ou escuta com suas condições de produção e seu contexto sócio histórico de circulação.
–
(EM13LP02) Estabelecer relações entre as partes do texto tanto na produção como na leitura ou escuta.
–
(EM13LP06) Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem.
–
(EM13LP15) Planejar, produzir, revisar, editar, reescrever e avaliar textos escritos e multissemióticos.
Materiais Necessários:
– Papel e canetas coloridas.
– Quadro branco e marcadores.
– Calculadoras.
– Fichas ou cartões com palavras para jogos de rimas.
– Acesso a textos curtos e inspiradores para leitura prévia.
– Recursos audiovisuais (se disponíveis) para projeção de imagens que estimulem a criatividade.
Situações Problema:
Estudantes podem se deparar com dificuldades de organização das ideias e com a escolha vocabular. É importante, portanto, trazer situações de escrita que incentivem o uso de rimas e a combinação de sons. Por exemplo, “Como você descreveria seu dia mais feliz usando rimas?” pode ser uma provocação interessante.
Contextualização:
Neste período, os alunos já têm bagagem em leitura e produção textual, mas o desafio de criar suas próprias narrativas ainda requer incentivo e técnica. A prática de contar histórias promove não apenas a expressão individual, mas também o compartilhamento de culturas e sentimentos.
Desenvolvimento:
Inicie a aula com uma breve leitura de um conto, destacando a sonoridade e o ritmo das palavras. Questione os alunos sobre os sons percebidos e como eles podem se inspirar nessa estrutura. Em seguida, proponha uma atividade de <strongjogo com rimas onde cada aluno deve criar uma frase que rime com outra dada, estimulando a prática de segmentação e consciência fonológica.
Com a interação, organize os alunos em grupos e proponha a criação de um storyboard de suas histórias, usando desenhos simples e palavras-chave, assim como a estrutura básica da narrativa: início, meio e fim. Após a produção dos storyboards, peça para que compartilhem suas histórias oralmente com seus colegas, garantindo um espaço seguro de troca e feedback.
Atividades sugeridas:
1. Dia 1: Leitura de um conto e discussão sobre o uso de sonoridades, rimas e estrutura.
2. Dia 2: Atelier de palavras – Jogo das rimas, onde alunos devem criar frases que rimem; prática de segmentação silábica.
3. Dia 3: Produção de storyboards em grupos.
4. Dia 4: Cada grupo apresenta seu storyboard para a turma; feedback coletivo.
5. Dia 5: Reescrita das histórias, utilizando sugestões e melhorias.
Discussão em Grupo:
Promova uma roda de conversa onde os estudantes podem compartilhar como se sentiram durante o processo de criação, quais dificuldades encontraram e como superaram os desafios da escrita. Isso é essencial para cultivar a empatia e a união entre os alunos.
Perguntas:
– O que você mais gostou na construção da sua história?
– Que partes foram mais difíceis e como você se sentiu ao superá-las?
– Qual foi a importância da rima e da sonoridade na sua produção?
Avaliação:
A avaliação deve considerar não apenas a produção textual em si, mas também a participação, empenho, e a colaboração durante as atividades. As histórias produzidas podem ser avaliadas com base na criatividade, estrutura narrativa e uso da linguagem.
Encerramento:
Ao término da aula, reforce a importância das histórias curtas e da expressão oral e escrita, propondo a continuação desse trabalho em casa, criando um “Diário de Histórias”, onde os alunos devem registrar e desenvolver narrativas durante a semana.
Dicas:
– Proporcione um ambiente inclusivo onde cada aluno se sinta seguro para se expressar.
– Use recursos visuais e sonoros para estimular a criatividade, como músicas que tenham rimas ou batidas.
– Incentive a troca de histórias entre pares, promovendo um feedback construtivo.
Texto sobre o tema:
A criação de histórias curtas é uma prática que transcende a mera necessidade de escrita; é um exercício de imaginação e de autoconhecimento. Para muitos estudantes, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades como a disgrafia e a dislexia, contar histórias pode parecer desafiador. Contudo, ao integrar técnicas de consciência fonológica e práticas lúdicas, é possível facilitar esse processo e tornar a experiência de escrita uma atividade prazerosa e enriquecedora.
No contexto da educação inclusiva, a utilização de recursos variados, como jogos de rimas e leitura compartilhada, proporciona um espaço de aprendizado que respeita as individualidades de cada aluno. Essas práticas não apenas promovem a habilidade de contar histórias, mas também ensinam a importância da escuta ativa e do respeito à diversidade de vozes presentes na sala de aula. A multidimensionalidade do aprendizado alcança novos patamares quando a imaginação é estimulada por meio de ferramentas tanto tradicionais quanto inovadoras.
Histórias têm o poder de conectar pessoas, de abrir janelas para novas possibilidades e de refletir sobre o mundo. A narrativa, sob qualquer forma, é uma das expressões mais completivas do ser humano. Dessa forma, ao fomentar a criação de histórias curtas, estamos cultivando, além da habilidade de escrita, também a capacidade de interpretar e transformar a realidade que nos cerca. Encorajar os alunos a criar suas próprias narrativas é, portanto, uma forma de empoderá-los a se tornarem contadores de suas próprias histórias.
Desdobramentos do plano:
Esse plano permite aprofundar aspectos da literatura brasileira, explorando autores que dedicaram suas vidas à criação de contos e histórias curtas, como João Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Depois que os alunos tiverem compreendido a estrutura narrativa, pode-se sugerir leituras que dialoguem com as histórias que eles criaram, promovendo um contato direto com diferentes estilos e formas de escrita.
Além disso, a atividade pode ser ampliada, possibilitando aos estudantes a criação de um desafio literário onde todos apresentam suas histórias em um evento da escola, criando um espaço de socialização e celebração da leitura e escrita. Essa atividade não apenas desenvolve suas habilidades de comunicação, mas também promove a valorização das produções individuais e coletivas.
Outro desdobramento possível é a elaboração de um e-book com as histórias criadas por eles, que pode ser compartilhado entre os alunos, professores e até em eventos de troca de histórias nas comunidades em que a escola está inserida. Isso contribui para que os alunos compreendam a importância de publicar e compartilhar suas ideias, fomentando sua autoestima e seu senso de pertencimento.
Orientações finais sobre o plano:
É fundamental que o professor utilize uma abordagem flexível e adaptativa, considerando as especificidades de cada estudante. Em turmas com alunos que apresentam disgrafia e dislexia, por exemplo, adaptações como o uso da tecnologia assistiva, com softwares que facilitam a escrita, podem ser benéficas. Esses recursos contribuem para diminuir a ansiedade e aumentar a confiança durante as atividades.
Além disso, a prática da escrita colaborativa é uma estratégia eficaz, onde alunos se unem para criar um texto ou desenvolver uma história, permitindo que troquem ideias e aprendam uns com os outros. É importante incentivar o professor a promover um espaço psicológico seguro para que todos os alunos sintam-se confortáveis ao compartilhar suas produções.
Por fim, o envolvimento da família pode ser igualmente interessante. Propor que os alunos compartilhem suas criações com seus familiares ou que escrevam juntos pode fortalecer o aprendizado e criar laços mais fortes entre os estudantes e seus apoiadores. Dessa maneira, a aprendizagem se torna um processo coletivo e uma riqueza de experiências compartilhadas.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Teatro de Fantoches: Os alunos podem criar historias que serão representadas em um pequeno teatro de fantoches. Isso ajuda na oralidade e encoraja a performance.
2. Caça ao Tesouro Literário: Criar uma caça ao tesouro onde os alunos devem encontrar diferentes elementos de uma história em textos dispostos pela sala.
3. Jogo de Cartas de Rimas: Produza cartas com rimas e os alunos devem utilizar as cartas para montar uma narrativa coletiva, seguindo as regras de respeito à rima.
4. Diário de Histórias em Quadrinhos: Os alunos devem criar suas histórias na forma de quadrinhos, utilizando desenhos e balões de fala, desenvolvendo a narrativa visual.
5. Chá da Tarde Literário: Organizar uma roda de leitura, onde cada aluno lê uma parte de sua história em um ambiente acolhedor com chá e bolinhos.
Essas sugestões cultivam o prazer pela leitura e escrita de maneira leve e divertida, incentivando a expressão criativa de todos os alunos.