Literatura em Cordel: Explorando “A Greve dos Bichos” no Ensino

A literatura em cordel é uma expressão cultural rica e comum na região nordestina do Brasil, caracterizada por suas rimas, versos e narrativa envolvente. Neste plano de aula, iremos explorar a obra “A Greve dos Bichos”, que, escrita sob a forma de cordel, traz à tona questões relacionadas à organização social, resistência e diversidade na fauna do cerrado goiano. Ao trabalhar esse tema, vamos despertar o interesse dos alunos pela leitura e escrita, além de proporcionar uma reflexão crítica sobre a realidade social e cultural representada nas obras.

Através do ensino da literatura em cordel, os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental 1 terão a oportunidade de vivenciar a linguagem poética, desenvolver sua competência crítica e aprimorar suas habilidades de leitura e escrita. As atividades propostas incluem apresentações dramáticas e criações de textos, garantindo uma abordagem lúdica e dinâmica do aprendizado.

Tema: Literatura em Cordel – A Greve dos Bichos e a Festa dos Bichos no Cerrado Goiano
Duração: 5 aulas
Etapa: Ensino Fundamental 1
Sub-etapa: 3º ano
Faixa Etária: 8 anos

Objetivo Geral:

Promover a leitura e a produção de textos em formato de cordel, fomentando o interesse dos alunos pela literatura popular brasileira, além de estimular a criatividade e a reflexão sobre temas sociais e culturais, por meio do estudo da obra “A Greve dos Bichos”.

Objetivos Específicos:

– Compreender a estrutura e as características da literatura de cordel;
– Identificar e discutir a mensagem e os valores presentes na obra “A Greve dos Bichos”;
– Desenvolver a habilidade de leitura e escrita a partir da criação de poesias;
– Promover o trabalho em grupo e a apresentação oral, estimulando a autoconfiança dos alunos.

Habilidades BNCC:


(EF03LP01) Ler e escrever palavras com correspondências regulares contextuais entre grafemas e fonemas – c/qu; g/gu; r/rr; s/ss; o (e não u) e e (e não i) em sílaba átona em final de palavra – e com marcas de nasalidade (til m n).

(EF03LP07) Identificar a função na leitura e usar na escrita ponto final, ponto de interrogação, ponto de exclamação e em diálogos, discurso direto, dois pontos e travessão.

(EF03LP27) Ler e compreender com certa autonomia textos em versos, explorando rimas, sons, jogos de palavras, imagens poéticas e recursos visuais e sonoros.

(EF03LP29) Identificar em narrativas cenário, personagem central, conflito gerador, resolução e ponto de vista, distinguindo narrativas em primeira e terceira pessoas.

Materiais Necessários:

– Cópias da obra “A Greve dos Bichos”;
– Materiais para artesanato (papel, canetinhas, lápis de cor, tesoura, cola);
– Quadro branco e marcadores;
– Projetor multimídia (opcional);
– Acesso a vídeos ou gravações de poemas em cordel (opcional).

Situações Problema:

Como a literatura de cordel pode nos ajudar a entender melhor a realidade dos animais do cerrado? O que a história de “A Greve dos Bichos” nos ensina sobre a sociedade e a convivência entre diferentes espécies?

Contextualização:

Iniciaremos o plano de aula com uma discussão sobre o que é literaturas em cordel e sua importância cultural, especialmente para a população nordestina do Brasil. Os alunos serão convidados a compartilhar experiências que tenham com a literatura, se já ouviram ou leram algo em formato de cordel e quais são as suas percepções a respeito. A ideia é promover um diálogo que ajude os alunos a relacionar a literatura de cordel com a sua realidade e o seu cotidiano.

Desenvolvimento:

– Aula 1: Introdução à literatura em cordel. Leitura coletiva da obra “A Greve dos Bichos”. Discussão dos temas abordados na obra e seus personagens.
– Aula 2: Identificação das características da literatura de cordel (rimas, versos, estrutura). Exercício de escrita: os alunos deverão criar pequenos versos em grupos.
– Aula 3: Apresentação das obras dos grupos. Discursos sobre a mensagem dos textos e seus significados. Reflexão sobre valores e comportamentos dos personagens.
– Aula 4: Atividade de criação individual. Os alunos deverão elaborar o seu próprio cordel, seguindo a estrutura discutida. Sugestão: criar um novo capítulo da história dos bichos.
– Aula 5: Apresentação final dos cordéis elaborados. Utilização de recursos visuais e sonoros, se possível. Reflexão final sobre as aprendizagens ao longo do projeto.

Atividades sugeridas:

1. Leitura da obra “A Greve dos Bichos”.
2. Criação de versos em grupos.
3. Discussão sobre as mensagens dos cordéis.
4. Criação individual de um cordel.
5. Apresentação das produções dos alunos.

Discussão em Grupo:

Após a leitura, promover uma discussão em grupo sobre a mensagem da obra. O que os animais da história nos ensinam sobre a divisão social? Como podemos aplicar essas lições em nosso dia a dia?

Perguntas:

1. Quais são os personagens principais da obra “A Greve dos Bichos”?
2. Qual é a mensagem central que o autor quer transmitir?
3. Como os conflitos entre os bichos refletem a nossa sociedade?

Avaliação:

A avaliação será contínua e formativa, observando a participação dos alunos nas atividades, as produções em grupo e as criações individuais. Será valorizada a criatividade, a capacidade de se expressar e a construção de argumentos coerentes nas discussões.

Encerramento:

Finalizaremos as atividades com uma roda de conversa, onde cada aluno poderá compartilhar sua experiência com o cordel e o que mais aprendeu com as discussões. Este momento será essencial para reforçar a importância da troca de saberes e a valorização da diversidade cultural.

Dicas:

– Incentive os alunos a recitar seus cordéis de forma expressiva, explorando a entonação e o ritmo.
– Utilize recursos audiovisuais para enriquecer as aulas, como vídeos de apresentações de cordéis.
– Explore outros temas da literatura de cordel que abordem a fauna e flora do Brasil, ampliando o repertório cultural dos alunos.

Texto sobre o tema:

A literatura em cordel representa uma rica tradição da cultura popular brasileira, com uma linguagem envolvente e cheia de musicalidade. Os cordéis, geralmente impressos em folhetos, trazem histórias que vão desde temas folclóricos até críticas sociais, permitindo ao leitor uma conexão profunda com a cultura e a identidade nacional. As rimas e os ritmos característicos fazem com que esse tipo de literatura seja facilmente memorizado, permitindo uma prática oral rica, onde as histórias são contadas e recontadas.

“A Greve dos Bichos” é uma dessas obras que, através de uma narrativa simples e direta, aborda temas complexos como a luta e a solidariedade entre os seres vivos. A história, embora pareça direcionada ao público infantojuvenil, traz um conteúdo que instiga reflexões sobre a convivência e a competição entre espécies, servindo de metáfora para a sociedade humana. Os personagens, sendo animais, facilitam a identificação e, ao mesmo tempo, proporcionam uma nova perspectiva sobre questões sociais.

O formato de cordel torna a leitura acessível e divertida, permitindo que crianças e adultos possam aprender e se entreter ao mesmo tempo. Durante as aulas, o envolvimento dos alunos será fundamental para que, ao final, todos possam apreciar não só “A Greve dos Bichos”, mas também a literatura em cordel como um todo, reconhecendo-a como patrimônio cultural e artístico do Brasil.

Desdobramentos do plano:

O plano de aula pode se desdobrar para outras áreas do conhecimento, como ciências, ao explorar a fauna e a flora do cerrado, e história, ao tratar do contexto cultural da literatura de cordel. As discussões em sala sobre as representações dos personagens na obra podem ser ampliadas para questões de cidadania e ética, tornando a aprendizagem inter e transdisciplinar.

Além de “A Greve dos Bichos”, o professor pode trazer outras obras de literatura de cordel para serem trabalhadas ao longo do semestre, criando um programa contínuo de leitura e escrita. Isso poderá culminar em um “Festival de Cordel”, onde os alunos apresentariam seus trabalhos de forma lúdica e interativa, convidando pais e comunidade para participarem desse momento.

Outra possibilidade é criar um mural da literatura de cordel na escola, incentivando a leitura e a apreciação dos cordéis, oferecendo aos alunos um espaço para exporem suas produções. Isso poderá gerar um ambiente acolhedor e motivador tanto para a leitura quanto para a criação literária.

Orientações finais sobre o plano:

É fundamental que o professor esteja sempre aberto ao diálogo e à escuta ativa, promovendo um ambiente de respeito e acolhimento entre os alunos. A literatura em cordel traz uma riqueza de temas e estilos que merecem ser explorados com atenção, valorizando a criatividade e a autonomia dos estudantes.

Reforce a importância da oralidade nas apresentações: a declamação correta e expressiva dos cordéis pode ser um diferencial significativo, estimulando o público a se envolver com a obra. Além disso, é importante que os alunos sintam que suas produções são valorizadas e podem ser compartilhadas, criando um campo fértil para o desenvolvimento da autoexpressão.

Por fim, avalie a possibilidade de estabelecer parcerias com bibliotecas ou profissionais da área literária, promovendo visitas e oficinas que ampliem o horizonte cultural dos estudantes, consolidando ainda mais as aprendizagens trazidas pela literatura em cordel.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Teatro de Fantoches: Os alunos podem criar fantoches dos personagens da obra “A Greve dos Bichos” e encenar trechos da história, estimulando a interpretação e a expressão corporal.

2. Oficina de Rimas: Realizar uma oficina onde os alunos devem criar rimas em grupo, utilizando palavras-chave relacionadas à história, ajudando na construção de um novo cordel.

3. Contação de Histórias: Convidar um contador de histórias para apresentar cordéis de forma interativa, enriquecendo a experiência com a oralidade e a performance.

4. Caminhada Literária: Organizar uma caminhada no espaço escolar onde os alunos podem recitar os cordéis que criaram, interagindo com diferentes espaços e engajando a comunidade escolar.

5. Feira do Cordel: Criar um evento onde os alunos possam expor seus cordéis, compartilhar ideias, realizar trocas literárias e mostrar para a comunidade a importância dessa forma de expressão.

Essas atividades lúdicas têm o potencial de tornar o aprendizado mais dinâmico e envolvente, garantindo que os alunos se conectem com a literatura de uma maneira divertida e significativa.