Análise Crítica de Obras de Portinari no 6º Ano: Arte e Literatura

Este plano de aula tem como foco a análise de imagens e pinturas, abordando obras significativas como “Os Retirantes” e “A Criança Morta”, de Portinari. Os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental II explorarão essas obras com um olhar crítico e reflexivo, analisando os sentimentos e as mensagens que essas pinturas transmitem, especialmente no que se refere ao sofrimento do povo nordestino. Após essa análise, os estudantes produzirão um texto associando as obras a um livro chamado “Tudo Aquilo Que Não Se Vê”, proporcionando uma conexão entre arte, literatura e a realidade social.

Tema: Análise de imagens/pinturas
Duração: 2h00
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 6º ano
Faixa Etária: 12 a 13 anos

Objetivo Geral:

Proporcionar aos alunos uma experiência enriquecedora ao analisarem obras de arte, desenvolvendo habilidades críticas e criativas que possibilitem a compreensão de temas sociais relevantes.

Objetivos Específicos:

– Analisar e interpretar as obras “Os Retirantes” e “A Criança Morta” de Portinari, destacando suas características e mensagens sociais.
– Estabelecer conexões entre as obras de arte e a literatura através do livro “Tudo Aquilo Que Não Se Vê”.
– Produzir um texto que integrará as reflexões artísticas às questões sociais abordadas no livro.

Habilidades BNCC:


(EF06LP01) Reconhecer a impossibilidade de uma neutralidade absoluta no relato de fatos e identificar diferentes graus de parcialidade/imparcialidade dados pelo recorte feito e pelos efeitos de sentido advindos de escolhas feitas pelo autor de forma a poder desenvolver uma atitude crítica frente aos textos e tornar-se consciente das escolhas feitas enquanto produtor de textos.

(EF06LP02) Estabelecer relação entre os diferentes gêneros jornalísticos compreendendo a centralidade da notícia.

(EF06LP08) Identificar em texto ou sequência textual orações como unidades constituídas em torno de um núcleo verbal e períodos como conjunto de orações conectadas.

(EF06LP11) Utilizar ao produzir texto conhecimentos linguísticos e gramaticais tempos verbais, concordância nominal e verbal, regras ortográficas, pontuação, etc.

(EF67LP08) Identificar os efeitos de sentido devidos à escolha de imagens estáticas e suas relações de complementação ou oposição em textos artísticos.

Materiais Necessários:

– Impressões das obras “Os Retirantes” e “A Criança Morta”.
– Cópias do livro “Tudo Aquilo Que Não Se Vê”.
– Papel e caneta para produção de textos.
– Projetor e computador para apresentação.

Situações Problema:

Como as obras de Portinari refletem a realidade social do povo nordestino? Que sentimentos e conceitos são evocados através de sua arte?

Contextualização:

As pinturas “Os Retirantes” e “A Criança Morta” de Portinari são representações poderosas da condição humana em situações adversas. Elas capturam o sofrimento, a esperança e a luta do homem nordestino, contexto que se relaciona diretamente com os temas abordados no livro “Tudo Aquilo Que Não Se Vê”. Refletir sobre essas representações permite ao aluno não apenas desenvolver competências críticas em relação à arte e à literatura, mas também um olhar mais atento para as questões sociais que moldam a realidade do Brasil.

Desenvolvimento:

1. Início da aula com a apresentação das obras de Portinari, utilizando projeções para que os alunos possam observar detalhes.
2. Discussão em grupos sobre as percepções de cada aluno a respeito das obras, estimulando perguntas e trocas de ideias.
3. Leitura e discussão de trechos do livro “Tudo Aquilo Que Não Se Vê”, relacionando os temas com as obras de arte.
4. Produção de um texto onde cada aluno deverá fazer a conexão entre as emoções e reflexões que surgiram durante a aula e os conceitos apresentados na leitura.

Atividades sugeridas:

1. Atividade 1: Interpretação das Obras
– Dividir a turma em grupos. Cada grupo deve analisar uma obra de arte (ou as duas) e listar sentimentos e impressões que evocam. Em seguida, apresentar para a classe.

2. Atividade 2: Leitura Compartilhada
– Ler em voz alta trechos do livro “Tudo Aquilo Que Não Se Vê” que se conectam às obras analisadas. Após a leitura, discutir em sala sobre como o livro e as pinturas dialogam entre si.

3. Atividade 3: Produção do Texto
– Cada aluno deve redigir um texto que conecte suas impressões sobre as pinturas de Portinari com temas explorados no livro. Os alunos irão produzir e revisá-los em pequenos grupos, proporcionando feedback uns aos outros.

4. Atividade 4: Exposição de Resultados
– Organizar uma exposição onde os textos possam ser apresentados. Os alunos também podem incluir ilustrações ou elementos visuais que reforcem suas análises.

Discussão em Grupo:

Promover uma discussão orientada onde os alunos possam compartilhar as principais conclusões de suas análises. Incentivar a argumentação sobre como a arte e a literatura se interrelacionam em suas percepções.

Perguntas:

– Quais sentimentos as obras de Portinari despertam em vocês?
– Como o contexto histórico e social se reflete nas pinturas analisadas?
– Quais são as semelhanças e diferenças que vocês percebem entre as obras de Portinari e o livro “Tudo Aquilo Que Não Se Vê”?

Avaliação:

A avaliação será feita a partir da participação nas discussões, na qualidade da análise realizada em grupo e na produção escrita individual. O professor observará as habilidades de argumentação e a capacidade de conectar diferentes manifestações artísticas e literárias.

Encerramento:

Finalizar a aula recuperando os principais aprendizados e promovendo o compartilhamento de reflexões críticas. Estimular os alunos a continuarem explorando a arte e a literatura como formas de entendimento do mundo ao seu redor.

Dicas:

– Utilize vídeos curtos sobre as obras de Portinari para enriquecimento visual.
– Encoraje os alunos a expressarem suas opiniões livremente, sem medo de julgamentos.
– Se possível, leve os alunos a uma visita a uma exposição de arte, caso exista uma relacionada ao tema em sua região.

Texto sobre o tema:

As obras “Os Retirantes” e “A Criança Morta” de Portinari são referências inegáveis que refletem a profunda relação entre arte, sociedade e a condição humana. Portinari, um dos mais ilustres artistas brasileiros, utilizou seu talento para dar voz à dor e à esperança do povo nordestino, que enfrenta desilusões e privações. “Os Retirantes”, por exemplo, ilustra a migração forçada de muitos nordestinos em busca de melhores condições de vida, o que é um eco da realidade enfrentada por muitos até os dias atuais. As figuras magras e as expressões sofridas comunicam uma narrativa poderosa que vai além do que os olhos podem ver.

Ademais, “A Criança Morta” é um relato devastador da fragilidade da vida em situações adversas. A cena retratada por Portinari nos choca e convida à reflexão sobre a miséria infantil que, lamentavelmente, ainda persiste no Brasil. A arte não é apenas um meio de expressão, mas também um veículo de crítica social que nos instiga a olhar para questões que muitas vezes preferimos ignorar.

Ao associar as obras de Portinari ao livro “Tudo Aquilo Que Não Se Vê”, os alunos têm a oportunidade de perceber como a literatura e a arte se entrelaçam na construção de narrativas que tratam da dor, do sofrimento e da luta por dignidade. Essas reflexões são fundamentais, pois cultivam uma consciência crítica nos jovens, despertando neles um desejo de mudança e uma postura ativa frente às injustiças que ainda permeiam a sociedade.

Desdobramentos do plano:

A aula pode ser expandida em uma série de atividades complementares, como a realização de um projeto de arte onde os alunos possam criar suas próprias interpretações visuais da temática abordada nas obras de Portinari. Esse exercício não só promoverá a criatividade, mas também fortalecerá a relação entre a expressão artística pessoal e as vivências sociais.

Além disso, os alunos podem se envolver em um debate sobre a atual situação do povo nordestino, utilizando pesquisa e dados atualizados, o que despertará um maior senso de responsabilidade social e empatia. Esse aspecto é essencial para que os alunos compreendam a continuidade dessas problemáticas e a importância de agir e lutar por mudanças.

Por fim, o plano pode culminar em uma apresentação final, onde os alunos poderão expor suas produções textuais e artísticas, criando um espaço de discussão com a comunidade escolar. Isso promoverá não apenas a valorização do trabalho deles, mas também uma conscientização coletiva sobre as questões sociais abordadas.

Orientações finais sobre o plano:

É crucial que o professor esteja preparado para mediar as discussões e garantir que todos os alunos se sintam confortáveis para expressar suas opiniões. Criar um ambiente de respeito e diálogo é fundamental para o sucesso da atividade. Além disso, o educador deve estar atento às reações dos alunos frente às obras, uma vez que os temas podem ser sensíveis.

Os recursos visuais devem ser utilizados estrategicamente, potencializando a análise artística e enriquecendo o entendimento dos alunos sobre a proposta de trabalho. Incentivar que utilizem o vocabulário adequado durante a discussão é igualmente importante para que desenvolvam sua expressão oral.

Por último, acompanhar o progresso de cada aluno na produção do texto e valorizá-los individualmente favorecerá um aprendizado mais significativo. Ao refletir sobre a arte e a literatura, os alunos não apenas assimilam conteúdo, mas também formam sua própria visão crítica do mundo.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Jogo de Imersão, onde os alunos devem se vestir como personagens das obras analisadas, apresentando suas histórias de vida e emoções, promovendo uma empatia mais profunda.
2. Teatro de Sombras, onde os alunos poderão criar cenários e personagens baseados nas obras de Portinari, utilizando luz e sombras como uma forma de contar a história por meio da arte dramática.
3. Criação de um mural coletivo, que sintetize as impressões das obras de Portinari e os sentimentos gerados na leitura do “Tudo Aquilo Que Não Se Vê”, estimulando a colaboração e o trabalho em grupo.
4. Roda de Leitura, em que os alunos poderão alternar a leitura de trechos do livro, intercalando com reflexões sobre as obras, promovendo uma dinâmica divertida e de constante troca de ideias.
5. Música e Artes, incentivar os alunos a compor músicas ou poesias inspiradas nas obras e no conteúdo literário abordado, promovendo uma sinergia entre múltiplas formas de arte.