Desvendando Merida: A Princesa que Quebra Estereótipos

A proposta do plano de aula intitulado “Era uma Vez uma Princesa Diferente: Elementos do Conto em Valente” consiste em uma análise aprofundada da personagem Merida, do filme “Valente”, em contraste com princesas tradicionais dos contos de fadas. A atividade é planejada de forma a estimular o pensamento crítico dos alunos, desafiando estereótipos e tradições narrativas. A utilização de um filme contemporâneo, como “Valente”, permite que os alunos façam conexões significativas entre a narrativa clássica e os novos paradigmas de representação feminino nas histórias, além de abordar estruturas narrativas que perpassam a literatura.

Tema: Era uma Vez uma Princesa Diferente: Elementos do Conto em Valente
Duração: 150 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 6º ano
Faixa Etária: 12 anos

Objetivo Geral:

Desenvolver a capacidade crítica dos alunos em relação aos elementos narrativos dos contos de fadas, por meio da comparação entre a princesa Merida e princesas tradicionais, promovendo a reflexão sobre representações de gênero e características das narrativas.

Objetivos Específicos:

– Identificar e analisar os elementos do conto presentes no filme “Valente”.
– Comparar e contrastar características de princesas tradicionais com a personagem Merida.
– Criar uma narrativa alternativa reimaginando a princesa Merida dentro dos padrões típicos dos contos de fadas.

Habilidades BNCC:


(EF06LP01) Reconhecer a impossibilidade de uma neutralidade absoluta no relato de fatos e identificar diferentes graus de parcialidade/imparcialidade.

(EF06LP27) Analisar referências explícitas ou implícitas a outros textos quanto aos temas, personagens e recursos literários.

(EF06LP30) Criar narrativas ficcionais que utilizem cenários e personagens realistas ou de fantasia observando os elementos da estrutura narrativa.

Materiais Necessários:

– Trechos do filme “Valente”.
– Quadro e canetas coloridas.
– Fichas para registro de personagens e elementos narrativos.
– Materiais para produção textual (papel, lápis, borracha, etc.).
– Projetor ou TV para a exibição do filme.

Situações Problema:

Como a personagem Merida quebra estereótipos tradicionais das princesas em contos de fadas e quais elementos narrativos sustentam essa ruptura? Como essas mudanças impactam no desfecho da história?

Contextualização:

Os contos de fadas tradicionais normalmente retratam princesas como personagens passivas, que aguardam ser salvas. O filme “Valente” inverte esses papéis, apresentando Merida como uma protagonista forte e independente, que toma suas próprias decisões. Essa aula busca explorar essas diferenças, propondo que os alunos reflitam sobre como essas representações podem influenciar a percepção de papéis de gênero nas histórias e na vida real.

Desenvolvimento:

A aula será dividida em três momentos:

1º MOMENTO – Conversa inicial e ativação de conhecimentos prévios (20 min)
O professor inicia dando voz aos alunos, perguntando sobre princesas conhecidas e características que compõem essas narrativas. As respostas são registradas no quadro, criando um mural de referências. A introdução de Merida será feita em um segundo momento de conversa. Questões apontando suas diferenças em relação às princesas tradicionais serão discutidas, rompendo com expectativas habituais.

2º MOMENTO – Exibição e análise dos elementos do conto (45 min)
Neste momento, serão exibidos trechos do filme focando nos elementos narrativos: introdução da personagem, conflito com a mãe, elemento mágico, clímax e resolução. Durante a exibição, os alunos preencherão um quadro com as informações pertinentes a cada um desses elementos. Ao final da exibição, será feita uma discussão coletiva que apurará as percepções dos alunos sobre como Merida desafia os padrões típicos.

3º MOMENTO – Produção e socialização (45 min)
Em duplas, os alunos deverão reescrever a narrativa colocando Merida em contextos de princesas tradicionais. O que muda na história com essa mudança? Eles deverão apresentar essas produções, comparando com a original e discutindo as particularidades de cada versão, evidenciando o impacto nas histórias.

Atividades sugeridas:

Segunda-feira: Conversa inicial sobre princesas, apresentação da Merida, coleta de ideias.
Terça-feira: Exibição do filme e análise dos elementos do conto, registro dos dados.
Quarta-feira: Discussão em grupo sobre os principais pontos observados no filme.
Quinta-feira: Início da produção textual da reescrita em duplas.
Sexta-feira: Socialização das produções, discussão sobre impactos das mudanças e encerramento.

Discussão em Grupo:

Promover uma roda de conversa onde cada grupo poderá expor suas visões sobre as diferenças entre as narrativas, focando nas mudanças em Merida e o que essas mudanças significam para a representação feminina em nossa cultura. O professor irá mediar, garantindo que todas as vozes sejam ouvidas.

Perguntas:

– Quais características dos contos tradicionais são mantidas ou alteradas em “Valente”?
– Como Merida exemplifica uma princesa diferente?
– De que forma a reescrita proposta altera a percepção da narrativa?

Avaliação:

A avaliação ocorrerá de forma contínua, observando a participação dos alunos nas discussões e na atividade de produção textual. Os alunos também serão avaliados quanto às argumentações em suas apresentações, e ao preenchimento do quadro de elementos narrativos.

Encerramento:

Retomar com os alunos os principais aprendizados da aula, enfatizando a importância das narrativas na formação das ideias sobre gênero e como elas podem impactar a sociedade.

Dicas:

Incentivar a liberdade criativa na reescrita, permitindo que os alunos explorem diferentes narrativas. Ressaltar a importância de opiniões divergentes, formando um ambiente inclusivo e respeitoso. Desafiar os alunos a encontrarem outras obras que quebrem estereótipos.

Texto sobre o tema:

Merida, a personagem central do filme “Valente”, ressignifica o conceito de princesa através de sua individualidade e coragem. Nos contos tradicionais, as princesas geralmente aparecem como figuras passivas, que dependem de príncipes para sua salvação e desenvolvimento. No entanto, a narrativa de “Valente” apresenta a história de uma jovem que desafia as normas de seu reino e busca seu caminho. Isso é especialmente representativo, pois nas histórias clássicas, as princesas são muitas vezes retratadas apenas através do olhar masculino, enquanto Merida desenha um novo modelo que encoraja a autonomia e a liberdade pessoal.

Ao longo do filme, as experiências de Merida refletem questões contemporâneas que vão além da simples estrutura narrativa; elas tratam do empoderamento feminino e da importância do autoconceito. A relação conflituosa com sua mãe não é meramente uma manobra narrativa, mas também um reflexo das provações realistas que enfrentamos nas relações familiares quando buscamos viver segundo nossas próprias escolhas. O elemento mágico, que aparece na história, não apenas serve como um recurso narrativo, mas também funciona como uma metáfora para as mudanças que as personagens enfrentam e superam.

A riqueza da narrativa de “Valente” oferece uma oportunidade de discussão em sala de aula sobre os tipos de histórias que contamos e como essas histórias moldam nossas percepções e valores sociais. Ao fazer essa análise, os alunos podem desenvolver um olhar crítico em relação aos contos de fadas e suas representações, permitindo-se também reconhecer e valorizar a diversidade de narrativas e modos de ser. Esse diálogo é fundamental na formação de leitores e críticos mais engajados e conscientes.

Desdobramentos do plano:

Esse plano de aula pode se desdobrar em diversas atividades complementares. Os alunos podem ser incentivados a produzir projetos artísticos que reinterpretam a história do filme com outras mídias, como teatro ou artes visuais. Além disso, pode-se explorar o tema das princesas em outras culturas, fazendo comparações de como diferentes narrativas tratam temas semelhantes. A discussão pode ser estendida para investigar como as mídias sociais apresentam novas figuras femininas e como isso altera a percepção de gênero. Os alunos poderão também se envolver em debates sobre as representações de mulheres em diferentes tipos de mídia, o que ajudaria a criar uma percepção mais crítica e apurada.

Outro desdobramento interessante poderia ser a realização de uma feira de livros, onde os alunos apresentariam títulos que tenham protagonismo feminino ou que quebrem estereótipos, promovendo a leitura como ferramenta de transformação social. Esta feira poderia incluir discussões com pais e outros alunos, potencializando o aprendizado e permitindo que as ideias discutidas em sala de aula sejam compartilhadas com a comunidade.

Por fim, uma continuação deste plano poderia incluir a criação de um blog escolar onde os alunos publicariam textos reflexivos sobre outros filmes, livros ou produtos culturais que contenham representações de gênero. A ideia é que eles possam experimentar a escrita criativa e crítica, colocando em prática as habilidades adquiridas durante a aula, fazendo conexões mais amplas entre os discursos femininos nas narrativas contemporâneas e tradicionais.

Orientações finais sobre o plano:

Este plano de aula busca não apenas a análise crítica, mas também o desenvolvimento da criatividade dos alunos, propondo que eles se sintam parte da construção das narrativas contemporâneas. A abordagem da autonomia de Merida pode servir como modelo, inspirando os alunos a refletirem sobre as próprias vozes e histórias que têm a contar. Assim, é essencial promover um ambiente onde todos se sintam confortáveis para expressar suas ideias, sem medo de julgamentos.

É fundamental que o professor esteja atento às dinâmicas na sala de aula, incentivando aos alunos que partam de seus próprios contextos e realidades, para que as discussões sejam enriquecedoras. Considerar a possibilidade de criar um espaço seguro onde todos consigam participar das atividades, assegurando que cada voz é ouvida, é vital.

Por último, sugere-se que o professor esteja preparado para lidar com questões sensíveis que possam surgir durante a discussão sobre gênero. A história de Merida e o foco em sua individualidade podem evocar reflexões mais profundas sobre a sociedade e sobre como as narrativas podem impactar a formação de identidade. Estar aberto a essas conversas pode enriquecer ainda mais o processo de ensino-aprendizagem, indo além da sala de aula e expandindo para reflexões que os alunos levarão para suas vidas.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Teatro de Fantoches: Os alunos poderão criar fantoches de papel representando Merida e princesas tradicionais, encenando uma peça onde elas se encontram. O enredo pode ser recrutado do próprio filme ou uma nova história inventada pelos alunos, discutindo seu impacto.

2. Oficina de Ilustrações: Propor uma oficina onde os alunos desenhem as várias versões de Merida como princesas tradicionais, trabalhando no conceito de como visualmente pode-se representar diferentes tipos de personagens femininas.

3. Jogos de Roda de Histórias: Criar um jogo em que cada aluno contribua com uma frase para uma história coletiva, misturando os elementos apresentados no filme e da discussão. Essa dinâmica incentivaria a criatividade coletiva e a escuta atenta.

4. Caça ao Tesouro Literário: Organizar uma atividade em que os alunos devem buscar livros na biblioteca ou em casa que contenham personagens femininas fortes, catalogando e apresentando-os à turma.

5. Competições de Criação de Contos: Realizar um concurso na sala de aula onde os alunos criarão contos que representem protagonistas femininas fortes e independentes. A votação pode ser feita, e os melhores contos podem ser ilustrados e publicados em um ‘livro da turma’.

Esse enfoque lúdico torna a compreensão do tema mais prazerosa, incentivando as crianças a se envolverem de maneira criativa com as narrativas e a reflexão sobre a representação de gênero no contexto das histórias que consomem.