Apreciação das Danças Africanas: Plano de Aula para o 4º Ano

A presente aula tem como foco a importância das danças do Brasil de matrizes africanas, pois elas não apenas representam uma rica história cultural, mas também contribuem para o desenvolvimento motor e social dos alunos. A proposta é fomentar uma apreciação consciente das diversas manifestações culturais, vinculando-as ao desenvolvimento de habilidades fundamentais dentro da Educação Física. As danças africanas promovem, ainda, a integração e o respeito à diversidade cultural, temas atuais e essenciais para o ambiente escolar.

Este plano de aula está estruturado para ser executado ao longo de cinco dias, onde os alunos terão a oportunidade de explorar diferentes aspectos das danças africanas no Brasil. Serão abordadas as técnicas, os significados e as emoções que estas danças representam, assim como o engajamento em atividades práticas que promovem a inclusão e a cooperação entre os alunos. O objetivo é que, ao final, as crianças não apenas aprendam sobre essas danças, mas também se sintam parte desse rico patrimônio cultural.

Tema: Danças do Brasil de Matrizes Africanas
Duração: 5 dias
Etapa: Ensino Fundamental 1
Sub-etapa: 4º ano
Faixa Etária: 9 anos
Disciplina/Campo: Educação Física

Objetivo Geral:

Desenvolver a apreciação, a execução e a compreensão das danças do Brasil de matrizes africanas, promovendo o respeito à diversidade cultural e ao patrimônio imaterial.

Objetivos Específicos:

– Compreender a importância cultural das danças de matriz africana no Brasil.
– Experimentar movimentos e coreografias típicas de diferentes danças africanas.
– Desenvolver habilidades de cooperação e respeito por meio da prática em grupo.
– Criar e apresentar uma coreografia original baseada nas danças estudadas.
– Refletir sobre preconceitos e injustiças sociais relacionados às manifestações culturais.

Habilidades BNCC:


(EF35EF01) Experimentar e fruir brincadeiras e jogos populares do Brasil e do mundo, incluindo práticas de matriz indígena e africana, recriando e valorizando esse patrimônio cultural.

(EF35EF09) Experimentar, recriar e fruir danças populares do Brasil e do mundo e danças de matriz indígena e africana, valorizando seus sentidos culturais.

(EF35EF10) Comparar e identificar elementos comuns e diferentes de ritmo, espaço e gestos em danças populares e danças de matriz indígena e africana.

(EF35EF11) Formular e utilizar estratégias para executar elementos das danças populares do Brasil, do mundo e de matriz indígena e africana.

Materiais Necessários:

– Colchonetes ou tapetes (para prática de movimentos).
– Música de diferentes danças africanas e brasileiras.
– Projetor ou computador (para exibir vídeos sobre danças).
– Materiais de arte (papel, tintas, etc.) para criação de cartões sobre as danças.

Situações Problema:

– Como as danças africanas influenciam as danças brasileiras que conhecemos?
– De que forma podemos trabalhar em equipe para criar uma coreografia inspirada em danças africanas?
– Quais são os sentimentos que estas danças despertam em nós?

Contextualização:

As danças de matrizes africanas são um importante componente da cultura brasileira, refletindo a história de resistência e criatividade de um povo que, apesar da opressão, encontrou nas danças uma forma de expressar sua identidade e valores. Valorizá-las na escola é fundamental para enriquecer o conhecimento dos alunos sobre a diversidade cultural que compõe o Brasil e promover um ambiente de respeito e inclusão.

Desenvolvimento:

O desenvolvimento desta aula será dividido em cinco sessões, cada uma focando em diferentes aspectos das danças africanas.

1. Dia 1: Introdução à história das danças de matriz africana. Exibição de vídeos e construção de um mural colaborativo sobre o tema.

2. Dia 2: Experimentação de movimentos básicos – apresentação de ritmos, gestos e posturas típicas. Cada aluno terá a oportunidade de experimentar e expressar-se livremente.

3. Dia 3: Criação de pequenas coreografias em grupos. Os alunos deverão escolher um ritmo e desenvolver uma sequência de movimentos inspirados nas danças estudadas.

4. Dia 4: Ensaios gerais das coreografias criadas. Discussão sobre a importância do trabalho em equipe e respeito às contribuições de cada membro do grupo.

5. Dia 5: Apresentação das coreografias para a turma e reflexões sobre o que aprenderam durante a semana. Encerraremos com um diálogo sobre preconceitos presentes nas danças e como podemos superá-los.

Atividades sugeridas:

Dia 1: Assistir a vídeos e discutir em grupo sobre as danças africanas e sua influência na cultura brasileira. Criar um mural com informações coletivas.
Dia 2: Experimentar movimentos com músicas de danças africanas; criar uma roda para a prática conjunta.
Dia 3: Em grupos, pesquisar e desenvolver uma coreografia baseada em uma dança específica (ex: samba de roda, jongo, maculelê).
Dia 4: Ensaiar as coreografias propostas, praticando suas performances e fazendo ajustes.
Dia 5: Realizar uma apresentação final, seguida de um debate sobre as experiências e sentimentos trazidos pelas danças estudadas.

Discussão em Grupo:

Promover uma discussão sobre como as danças africanas influenciam outras culturas e atividades que realizamos em nosso dia a dia. Incentivar o respeito e a valorização das diferenças culturais e também quais sentimentos e reflexões foram despertados em cada um durante as atividades.

Perguntas:

– O que você aprendeu sobre as danças africanas que não sabia antes?
– Como você se sentiu ao dançar e explorar esses novos movimentos?
– Você acredita que as danças podem ajudar a superar preconceitos? Como?

Avaliação:

A avaliação será contínua e focará no envolvimento dos alunos, na colaboração durante as atividades em grupo e na apresentação final. Observar se os alunos estão participando ativamente, se colaboram com os colegas e como se expressam durante as danças.

Encerramento:

O encerramento será feito com uma roda de conversa, onde os alunos poderão compartilhar suas experiências e o que aprenderam sobre danças de matrizes africanas. A ideia é reforçar a importância dessas práticas culturais e a motivação para respeitar e valorizar as diversidades.

Dicas:

– Oferecer um ambiente seguro e acolhedor para a expressão corporal.
– Utilizar músicas autênticas e de qualidade que representem as danças africanas.
– Estimular o diálogo aberto e respeitoso sobre a cultura e as danças durante todo o processo.

Texto sobre o tema:

As danças de matrizes africanas são expressões de uma rica cultura que influenciaram profundamente a história e a identidade do Brasil. Chegaram ao país através dos negros escravizados, que trouxeram consigo suas tradições, costumes e danças, que mesmo diante da opressão, se mantiveram vivas e se transformaram ao longo dos séculos. Essas danças retratam uma trajetória de resistência e celebração, onde os ritmos e movimentos são formas de comunicação e manifestação cultural.

Dentre as diversas danças de matriz africana, o samba, o jongo, o maracatu, a capoeira e o afoxé são algumas das mais conhecidas e apreciadas. Cada uma delas carrega em seus passos a história de um povo que, mesmo excluído, conseguiu ressignificar e celebrar sua cultura, transmitindo seus saberes e valores para futuras gerações. A vivência dessas danças nas escolas é fundamental para o aprendizado e a construção da identidade cultural dos alunos, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e respeitosos com a diversidade.

É importante lembrar que essas danças vão além do simples movimento. Elas trazem em sua essência uma rica história, marcada por lutas e conquistas, e ao serem ensinadas e praticadas, ajudam na desconstrução de preconceitos e na promoção de um diálogo intercultural. Portanto, ao expandirmos o conhecimento sobre as danças africanas, contribuímos para a formação de um futuro mais inclusivo e respeitoso entre diferentes culturas.

Desdobramentos do plano:

As práticas de danças de matrizes africanas podem ser desdobradas para outras disciplinas como História, Artes e Ciências Sociais. Ao aprender sobre a origem e transformação dessas danças, os alunos poderão entender a importância social e política que elas tiveram ao longo da história do Brasil. Além disso, a pesquisa sobre as danças pode introduzir debates sobre racismo e desigualdade social, e como essas questões se relacionam com a cultura popular.

Outra possibilidade é integrar as danças africanas ao projeto da escola, como a criação de um festival cultural, onde os alunos possam apresentar suas coreografias e vivenciar outras manifestações artísticas associadas à cultura africana. Isso pode incluir apresentações de teatro, música e artes visuais, proporcionando uma experiência mais rica e imersiva. Essa abordagem valoriza cada expressão cultural e sua importância no contexto brasileiro.

Finalmente, o plano pode ser desdobrado na criação de uma unidade dedicada ao patrimônio cultural imaterial na Educação Física, onde as danças, lutas e brincadeiras de diferentes culturas sejam estudadas e vivenciadas, estimulando os alunos a explorar e aprofundar seus conhecimentos sobre a diversidade cultural que existe em nosso país.

Orientações finais sobre o plano:

É essencial que o plano de aula seja flexível para se adaptar ao ritmo e às necessidades dos alunos. Durante o desenvolvimento das atividades, o professor deve estar atento às dinâmicas de grupo, promovendo um ambiente de respeito e diversidade, sempre buscando a inclusão de todos os alunos, independentemente de suas habilidades. É importante também cultivar o diálogo, permitindo que os alunos expressem suas opiniões e experiências ao longo do processo.

As danças de matrizes africanas são uma rica fonte de aprendizado e devem ser tratadas com seriedade e respeito. Ao conduzirmos esses estudos nas escolas, promovemos não apenas o desenvolvimento motor, mas também a construção da identidade cultural e de valores fundamentais como empatia e respeito às diferenças.

Além disso, ao fim da aula, é recomendável que o professor busque feedback dos alunos sobre as atividades desenvolvidas. Essa avaliação constante fará com que o plano de aula se torne uma ferramenta dinâmica e sempre aprimorada, contribuindo para o desenvolvimento contínuo da consciência cultural e do respeito à diversidade no ambiente escolar.

5 Sugestões lúdicas sobre este tema:

1. Oficina de Ritmos: Realizar uma oficina onde os alunos possam vivenciar diferentes ritmos africanos. Com instrumentos simples e os próprios corpos, eles podem criar uma percussão coletiva que embale suas danças.

2. Teatro e Dança: Propor aos alunos a criação de uma peça de teatro onde personagens de diferentes danças africanas são representados. Isso ampliaria a compreensão sobre o contexto cultural dessas danças.

3. Desafio de Coreografias: Organizar um desafio entre os grupos para criarem coreografias improvisadas com elementos de danças estudadas, apresentando-as para a turma e garantindo a participação e inclusão de todos.

4. Dia do Patrimônio Cultural: Criar um evento onde toda a escola é convidada a trazer um elemento de sua cultura para um desfile de moda cultural, misturando danças, trajes e histórias, mostrando a diversidade presente na comunidade.

5. Registro de Historias: Pedir aos alunos que conversem com familiares ou membros da comunidade sobre suas experiências com danças africananas, incentivando o mapeamento e a valorização das histórias e tradições locais. Isso pode resultar em um livro ilustrado que conta a rica história das danças e suas influências.

Por meio dessas propostas, pretendemos promover não apenas o aprendizado das danças de matrizes africanas, mas também a formação de um ambiente escolar respeitoso, colaborativo e inclusivo.