Introdução: Este plano de aula foi elaborado para oferecer aos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental II uma oportunidade de explorar o grafite e a pixação, duas formas de expressão urbana que têm ganhado destaque no cenário artístico contemporâneo. As discussões sobre essas práticas visuais contribuem para o desenvolvimento do olhar crítico dos estudantes frente às artes visuais, promovendo uma reflexão sobre suas funções sociais e culturais. O planejamento de atividades visa estimular a criação, análise e valorização dessas expressões, alinhando-as às diretrizes da BNCC.
O grafite e a pixação são formas de arte que merecem ser compreendidas não apenas como atividades de vandalismo, mas como manifestações artísticas que refletem a identidade cultural e social de um povo. Desta forma, propõe-se que os alunos analisem esses estilos sob a perspectiva da história da arte e da contemporaneidade, considerando seus contextos, personagens e diferenças estéticas e sociais. Essa abordagem interdisciplinar favorecerá o desenvolvimento de habilidades diversas e estimulará a busca por novas formas de expressão artística.
Tema: Grafite e Pixação
Duração: 45 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 2
Sub-etapa: 9º ano
Faixa Etária: 11 a 14 anos
Objetivo Geral:
Desenvolver a apreciação e a análise crítica das linguagens do grafite e da pixação, promovendo o reconhecimento de suas particularidades enquanto formas de arte contemporânea que dialogam com contextos sociais, históricos e culturais.
Objetivos Específicos:
– Compreender os conceitos de grafite e pixação e suas diferenças.
– Analisar obras de grafiteiros e pixadores brasileiros e internacionais.
– Criar um painel colaborativo que represente a expressão artística dos alunos a partir do tema.
– Desenvolver habilidades de pesquisa e reflexão crítica sobre a cultura urbana.
Habilidades BNCC:
–
(EF69AR01) Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais contemporâneas em obras de artistas.
–
(EF69AR02) Pesquisar e analisar diferentes estilos visuais contextualizando-os no tempo e no espaço.
–
(EF69AR04) Analisar os elementos constitutivos das artes visuais na apreciação de diferentes produções artísticas.
–
(EF69AR06) Desenvolver processos de criação em artes visuais com base em temas de interesse.
–
(EF69AR34) Analisar e valorizar o patrimônio cultural material e imaterial, incluindo suas matrizes.
Materiais Necessários:
– Projetor multimídia
– Papel sulfite e cartolina
– Canetas hidrográficas e pincéis
– Referências visuais impressas (imagens de grafites e pichações)
– Acesso à internet para pesquisa
Situações Problema:
– Como podemos diferenciar grafite de pixação?
– Quais são as influências socioeconômicas que impactam a produção artística em ambientes urbanos?
– De que maneira o grafite e a pixação expressam a identidade de uma comunidade?
Contextualização:
O grafite e a pixação, frequentemente confundidos, representam manifestações culturais importantes nas sociedades contemporâneas. Enquanto o grafite é geralmente visto como uma forma de arte que busca valor estético, a pixação é comumente associada a uma expressão de protesto e anarquia. Com a ascensão da arte urbana, muitos grafiteiros ganharam reconhecimento em galerias e museus, fomentando um debate sobre o que constitui a arte e quem a define. Estudando essas formas de expressão, os alunos poderão desenvolver uma opinião fundamentada sobre a relevância social e artística do grafite e da pixação.
Desenvolvimento:
1. Introdução ao tema (10 minutos): iniciar a aula apresentando o conceito de grafite e pixação. Abordar as diferenças entre essas práticas e suas origens.
2. Exibição de imagens (15 minutos): projetar imagens de obras de grafiteiros renomados, como Banksy e Eduardo Kobra, assim como exemplos de pixação. Incentivar uma discussão em grupo sobre as emoções e impressões que as obras causam.
3. Pesquisa (10 minutos): dividir a turma em grupos e solicitar que cada grupo pesquise um grafiteiro ou pixador, identificando sua obra, estilo, e contexto de atuação.
4. Atividade de criação (10 minutos): com base na pesquisa e na discussão anterior, os alunos deverão produzir um painel coletivo usando canetas hidrográficas e cartolinas, representando a identidade artística do grupo inspirada em grafites e pichações.
Atividades sugeridas:
1. Dia 1: Aula introdutória sobre grafite e pixação. Discussão sobre o que cada um representa.
2. Dia 2: Pesquisa em grupos sobre grafiteiros famosos e produção de um pequeno painel informativo.
3. Dia 3: Apresentação dos grupos sobre o artista pesquisado, destacando seu estilo e impacto cultural.
4. Dia 4: Atividade prática de criação do painel coletivo.
5. Dia 5: Exposição do painel finalizado para o restante da turma e discussão crítica sobre o processo criativo e a composição.
Discussão em Grupo:
Promover uma discussão em grupo após a exposição dos painéis, abordando como a arte pode denotar questões sociais, a importância do grafite na cidade e se e como a pixação se alinha ou se distancia desse conceito. Pedir aos alunos que compartilhem suas opiniões sobre as práticas e se essas intervenções artísticas merecem espaços formais de reconhecimento.
Perguntas:
– O grafite pode ser considerado arte? Por quê?
– Quais as principais semelhanças e diferenças entre grafite e pixação?
– De que forma a arte urbana pode dialogar com a identidade de uma cidade?
Avaliação:
A avaliação será realizada de forma contínua e incluirá a participação dos alunos nas discussões, a qualidade da pesquisa apresentada e a originalidade e técnica do painel coletivo. Será valorizado o trabalho em equipe e a contribuição individual para o projeto.
Encerramento:
Para encerrar a atividade, propor que os alunos reflitam em um breve texto sobre o que aprenderam acerca do grafite e da pixação e como veem essas expressões artísticas em seu cotidiano. Essa reflexão ajudará a solidificar o aprendizado e a perceber o impacto cultural da arte urbana.
Dicas:
– Incentivar o uso de plataformas digitais para pesquisa de artistas e obras.
– Criar um espaço na escola para a exposição dos trabalhos dos alunos.
– Organizar uma visita a uma galeria de arte que tenha obras de arte urbana ou uma saída a campo para observar grafites na cidade.
Texto sobre o tema:
O grafite é uma forma de arte que se expressa principalmente através das paredes da cidade, um marco visual que traz à tona questões sociais, políticas e estéticas. Diferente da pixação, que se concentra em letras e mensagens mais simples, o grafite é caracterizado pela sua busca por complexidade e beleza artística. Histórias de artistas como Jean-Michel Basquiat e Keith Haring mostram como o grafite transcendeu as fronteiras do espaço urbano, ganhando reconhecimento nas galerias e museus do mundo, enquanto, ainda assim, mantém suas raízes na cultura da rua e na vida cotidiana.
Por outro lado, a pixação, que muitas vezes é vista sob uma luz negativa, carrega uma potente carga simbólica de resistência e luta. É frequentemente utilizada como forma de protesto, refletindo vozes de grupos marginalizados que buscam ser vistos e ouvidos. A discussão em torno da pixação nos leva a questionar os limites da propriedade pública, do que é considerado arte e do papel que a cidade desempenha na expressão artística.
Assim, tanto o grafite quanto a pixação colocam a arte no centro de uma conversa maior sobre pertencimento, identidade e resistência. Discutir esses temas nas escolas é fundamental para cultivar um olhar crítico e curioso nos jovens, abrindo espaço para um maior entendimento do seu entorno e para a valorização das diversas formas de expressão.
Desdobramentos do plano:
Aproximar-se do grafite e da pixação a partir de um holismo cultural pode dar margem a várias possibilidades de pesquisas e criações futuras dentro do campo da arte. O plano apresentado pode ser desdobrado em ações com diferentes áreas da arte, como a música, onde os alunos podem criar letras de rap ou hip-hop que dialoguem com as mensagens do grafite, ou ainda explorar a literatura, desenvolvendo narrativas que se relacionem com os temas abordados nas obras.
Além disso, seria enriquecedor realizar atividades em que os alunos não apenas analisem as obras existentes, mas também reflitam sobre como poderiam utilizar esses espaços urbanos de maneira criativa e construtiva. A ideia é que eles possam não apenas criticar, mas também criar e propor novas formas de ocupação do espaço urbano, levando em consideração a sustentabilidade e a convivência pacífica nas cidades.
Por fim, a abordagem estética e crítica do grafite e da pixação também pode ser expandida através da realização de uma exposição coletiva na escola. Os alunos poderiam convidar a comunidade para participar do evento, trazendo outros contextos e artistas para diálogo. Essa iniciativa não só oportuniza o reconhecimento do trabalho feito em sala de aula como também fortalece os laços comunitários e traz visibilidade para a expressão urbana local.
Orientações finais sobre o plano:
Para que o plano de aula alcance seus objetivos, é fundamental que o professor esteja preparado para guiar discussões delicadas sobre a temática da arte urbana, como o preconceito e a marginalização associados à pixação. Criar um ambiente seguro para a expressão dos alunos é crucial para fomentar um aprendizado enriquecedor.
Além disso, o educador deve estar atento às diferentes backgrounds dos alunos e suas expressões culturais, respeitando as origens e as experiências que cada um traz para a discussão. Caso algum aluno tenha um histórico ou uma relação com a arte urbana, isso deve ser encorajado a ser compartilhado, enriquecendo ainda mais a experiência de aprendizado coletiva.
Por último, o planejamento deverá ter flexibilidade para se adaptar ao fluxo da aula e às interações dos alunos. É importante que o professor esteja aberto a ajustamentos conforme necessário, promovendo um espaço de co-criação e aprendizado colaborativo. O grafite e a pixação são apenas um ponto de partida para disciplinas que podem ter desdobramentos em uma infinidade de áreas, sempre buscando a valorização da cultura e da expressão artística.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Jogo da Memória: Crie um jogo da memória com imagens de grafites famosos e informações sobre seus autores. Os alunos devem encontrar os pares, aprendendo mais sobre cada artista como parte da dinâmica.
2. Oficina de Estêncil: Realize uma oficina onde os alunos possam criar seus próprios estênceis para grafite. Assim, eles aprenderão sobre a técnica e poderão aplicar em um espaço designado na escola.
3. Caça ao Grafite: Organize um passeio pela cidade onde os alunos precisam encontrar e fotografar diferentes estilos de grafite e pixação, registrando suas características e o que acham sobre cada uma.
4. Teatro de Sombras: Utilize a técnica de teatro de sombras para que os alunos possam representar a história do grafite e da pixação, criando narrativas visuais que reflitam a cultura urbana.
5. Batalha de Ideias: Promova uma competição amigável onde os alunos têm que apresentar ideias criativas de como poderiam utilizar espaços urbanos para expressar suas opiniões artisticamente, utilizando diferentes mídias e abordagens.