O plano de aula a seguir foi elaborado com uma abordagem inclusiva, focando no desenvolvimento do letramento matemático de estudantes com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hipertatividade (TDAH). Ao longo da aula, procuraremos utilizar métodos que estimulem a interação social e o autoconhecimento, com ênfase na construção de habilidades que permitam ao aluno expressar suas emoções de maneira adequada, além de desenvolver estratégias de autocontrole e resolução de conflitos.
Neste contexto, o letramento matemático vai além da simples aprendizagem de números e operações. O objetivo é criar um ambiente onde o aprendizado ocorra de forma lúdica e gradual, respeitando as particularidades do estudante. A proposta envolve atividades práticas que utilizarão materiais manipuláveis e o cotidiano do aluno para ensinar conceitos matemáticos básicos, promovendo um ambiente positivo e de apoio ao aprendizado.
Tema: Letramento matemático
Duração: 45 minutos
Etapa: Ensino Fundamental 1
Sub-etapa: 1º ano
Faixa Etária: 6 anos
Disciplina/Campo: Matemática
Objetivo Geral:
Promover o desenvolvimento do letramento matemático em estudantes do 1º ano, por meio de atividades que estimulam a contagem, a comparação de quantidades e a resolução de problemas básicos, de maneira adaptada às necessidades de estudantes com TEA e TDAH, favorecendo o autocontrole e o reconhecimento emocional.
Objetivos Específicos:
– Estimular a contagem de objetos utilizando estratégias visuais e manipuláveis.
– Comparar quantidades através de jogos e atividades práticas.
– Utilizar a linguagem matemática de forma verbal e não verbal, respeitando as particularidades de cada estudante.
– Desenvolver a habilidade de resolver problemas básicos de adição e subtração em situações do cotidiano.
– Promover a expressão emocional, criando um ambiente seguro para que o estudante possa compartilhar suas experiências e dificuldades.
Habilidades BNCC:
–
(EF01MA01) Utilizar números naturais como indicador de quantidade ou ordem e reconhecer quando números funcionam como código de identificação.
–
(EF01MA02) Contar de maneira exata ou aproximada utilizando estratégias como pareamento e agrupamentos.
–
(EF01MA08) Resolver e elaborar problemas de adição e subtração até dois algarismos envolvendo juntar, acrescentar, separar e retirar usando estratégias pessoais.
–
(EF01MA04) Contar objetos de coleções até 100 unidades e registrar resultados verbalmente ou simbolicamente.
Materiais Necessários:
– Conjuntos de objetos manipuláveis (como blocos de construção, botões coloridos ou figuras geométricas).
– Tabelas para contagem e comparação.
– Cartazes com números e operações simples.
– Materiais para escrever (papéis, canetas coloridas).
– Recursos audiovisuais (se possível), como vídeos curtos sobre contagem.
Situações Problema:
Construir cenários que promovam a interação e reflexão, como “Se eu tenho 3 maçãs e ganho mais 2, quantas maçãs eu tenho agora?”, abordando a adição e trabalhando a compreensão emocional diante da situação de “ganhar” ou “perder”.
Contextualização:
Iniciar a aula contando uma história que envolva números e quantidades, relacionando-as com a vivência cotidiana dos estudantes, como o número de brinquedos que possuem ou a quantidade de amigos que têm. Isso facilita a conexão emocional e facilita o envolvimento do aluno nas atividades que serão propostas.
Desenvolvimento:
A aula será dividida em três principais etapas:
1. Introdução e reconhecimento das emoções: Conversa inicial onde cada aluno poderá expressar como se sente em relação a contar ou resolver problemas matemáticos. Incentivar o uso de expressões faciais, gestos e, se necessário, desenhos que representem essas emoções.
2. Atividades práticas utilizando objetos manipuláveis: Propor contagens de objetos, onde os alunos deverão agrupar e comparar quantidades, sempre utilizando a linguagem matemática de forma verbal e não verbal. Isso poderá incluir jogos de pares ou equipes onde a comparação de resultados é feita de maneira lúdica.
3. Resolução de problemas em duplas: Criar situações-problema envolvendo a adição e subtração, onde os alunos poderão trabalhar juntos, desenvolvendo não só suas habilidades matemáticas, mas também sua habilidade social e de colaboração.
Atividades sugeridas:
– Dia 1: Contar e agrupar objetos (de 5 a 10 itens) da sala, registrando verbalmente as quantidades.
– Dia 2: Jogo do “tem mais ou tem menos?”, onde os estudantes se dividem em grupos e devem se ajudar a decidir quem tem mais ou menos com relação a uma coleção de objetos.
– Dia 3: Criação de uma história em quadrinhos onde o protagonista conta quantidades de itens, estimulando a narrativa e a matemática.
– Dia 4: Comparar quantidades em pequenos grupos, usando tabelas e desenhos para registrar as descobertas.
– Dia 5: Resolução de problemas em dupla, onde os alunos desenham suas resoluções, promovendo a visualização das operações.
Discussão em Grupo:
Após cada atividade, promover uma roda de conversa onde os alunos possam compartilhar suas emoções e aprendizado. Perguntar como se sentiram ao resolver os problemas e quais estratégias utilizaram.
Perguntas:
– O que você sentiu ao contar os objetos?
– Como foi resolver o problema de adição com seu amigo?
– Que estratégias você usou para descobrir quantidades?
Avaliação:
A avaliação será contínua e observacional, buscando entender como o aluno se relaciona com as atividades propostas, sua interação com os colegas e o seu avanço nas habilidades matemáticas. O professor poderá utilizar registros escritos e orais para avaliar a compreensão e a expressão emocional dos alunos.
Encerramento:
Finalizar a aula com um pequeno momento de reflexão. Propor que os alunos desenhem ou escrevam algo que aprenderam e como se sentiram em relação a isso. Essa atividade de fechamento promove o autoconhecimento e a importância da matemática no seu dia a dia.
Dicas:
– Utilize sempre a linguagem positiva durante a aula, reforçando os pontos fortes dos alunos.
– Tenha paciência e esteja preparado para intervenções individuais, respeitando as necessidades de cada aluno.
– Mantenha a rotina o mais previsível possível, mas esteja aberto a ajustá-la se necessário, garantindo que todos se sintam confortáveis e seguros no ambiente de aprendizagem.
Texto sobre o tema:
O letramento matemático é uma habilidade essencial que vai além da simples adição e subtração. Ele envolve a capacidade de compreender informações matemáticas e aplicá-las em diversas situações da vida cotidiana. A prática do letramento matemático deve começar já nos primeiros anos do Ensino Fundamental, especialmente em um ambiente inclusivo, onde cada aluno é respeitado em suas individualidades. Para estudantes com TEA e TDAH, o aprendizado deve ser mais acessível e prazeroso, criando um ambiente que estimule a curiosidade e a interação social.
Os jogos e as atividades práticas são fundamentais para a construção desse conhecimento. O uso de materiais manipuláveis ajuda os alunos a visualizar e compreender as operações, tornando a aprendizagem mais concreta e envolvente. Além disso, a interação entre colegas é enriquecedora, pois favorece a troca de experiências e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, essenciais para o aprendizado e convivência.
Por fim, é vital que o professor atuante tenha ciência da importância das emoções no processo de aprendizagem. Ao reconhecer e validar os sentimentos dos estudantes, ele pode construir um espaço seguro e acolhedor. Isso não só favorece a aprendizagem matemática, mas também promove o desenvolvimento integral do aluno.
Desdobramentos do plano:
O plano de aula pode ser adaptado para diferentes contextos e incluir atividades que envolvem outros campos do conhecimento, como a linguagem e as ciências. Por exemplo, o conteúdo pode ser entrelaçado com a leitura, onde histórias que abordam matemática de forma lúdica podem ser exploradas. Isso não só diversifica as abordagens do tema como também estimula a interdisciplinaridade.
Além disso, o uso de aplicativos e jogos educativos interativos pode agregar uma nova dimensão ao aprendizado. Ferramentas digitais que envolvem matemática em um formato de jogo podem ser motivadoras, especialmente para alunos que respondem mais positivamente a estímulos visuais e interativos. É uma oportunidade de levar a matemática para o mundo virtual, promovendo um engajamento ainda maior.
Para além do tempo de aula, é importante criar uma lição de casa que envolva a família. Uma atividade simples onde os alunos contem e registrem quantidades de itens em casa pode ser uma maneira eficaz de reforçar a aprendizagem e trazer os pais para o processo educativo. Isso cria um elo entre a escola e a família, favorecendo o desenvolvimento da criança de maneira holística.
Orientações finais sobre o plano:
A implementação deste plano de aula exige do professor uma atenção especial às práticas inclusivas e adaptativas. É preciso estar atento ao ritmo de cada aluno e às suas necessidades específicas, respeitando sempre seu tempo de aprendizado. Estar preparado para modificar a metodologia é uma das chaves para garantir que todos os alunos consigam participar ativamente, independentemente de suas dificuldades.
Além disso, o professor deve ser um facilitador da aprendizagem, encorajando a autonomia dos alunos em atividades práticas. Quando os estudantes sentem que têm controle sobre seu aprendizado, eles se tornam mais engajados e motivados. Criar um ambiente de confiança e respeito faz com que os alunos sintam segurança para expressar suas opiniões e emoções, tanto positivas quanto negativas.
Por fim, é essencial que as relações entre alunos sejam promovidas e estimuladas, criando um ambiente colaborativo onde todos aprendam juntos. A matemática, assim como muitas outras disciplinas, é aprimorada por meio da interação e colaboração, e essas experiências serão valiosas não apenas para o aprendizado acadêmico, mas também para o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais dos alunos.
5 Sugestões lúdicas sobre este tema:
1. Caça aos Números: Espalhar números pela sala, escritos em papéis coloridos, e pedir aos alunos que encontrem e contem os números, desenvolvendo habilidades de contagem.
2. Matemática em Movimento: Criar um jogo onde os alunos representam operações matemáticas com seus corpos, como “formar um triângulo com 3 alunos”.
3. Mercado Matemático: Criar um “mercado” na sala com objetos que simulam compras. Os alunos podem usar “dinheiro” para comprar itens, praticando contagem e comparações.
4. Monstrinhos Matemáticos: Os alunos criam “monstrinhos” com materiais variados, depois deverão contar e registrar quantas partes possui cada monstrinho, desenvolvendo a compreensão de quantidades.
5. Histórias de Matemática: Os alunos devem criar uma história em quadrinhos onde cada página represente uma operação matemática (como comprar frutas), permitindo a conexão entre narrativa e matemática.